França/Aposentadoria

Estudantes franceses voltam às ruas contra reforma

Homem com um cartaz "escutem a raiva do povo" durante manifestação em frente ao senado, Paris
Homem com um cartaz "escutem a raiva do povo" durante manifestação em frente ao senado, Paris Reuters

Um nova onda de protestos deve atingir toda França nesta quinta-feira contra a reforma da aposentadoria proposta pelo governo. Estudantes programaram manifestações por todo o país. A produção das refinarias continua paralisada e os bloqueios nos depósitos de distribuição dificultam a normalização do abastecimento de combustíveis nos postos.

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O ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, afirmou na manhã desta quinta-feira que as 12 refinarias de petróleo do país permanecem paralisadas e que 14 dos 219 depósitos de combustíveis na França ainda estão em greve.

Ele disse que vai manter a ordem dada ontem pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, de retirar, à força, os manifestantes que bloqueiam os depósitos de combustíveis e refinarias.

Durante a madrugada as forças de ordem francesas desbloquearam um novo depósito, localizado próximo à cidade de Rouen, na região noroeste do país. Mas os manifestantes são persistentes. Um depósito que chegou a ser esvaziado pela polícia, no porto da cidade de Brest, na região oeste da França, voltou a ser bloqueado hoje por grevistas.

Também na manhã desta quinta-feira, cerca de 200 pessoas bloquearam por algumas horas o acesso ao aeroporto de Marselha-Provence, um dos principais do sul da França, antes de serem dispersados pela polícia.

Outros 300 manifestantes impediram a entrada de funcionários no arsenal militar de Toulon, no sul do país.

Manifestações continuam sendo convocadas em toda a França. Em Paris, uma nova manifestação de estudantes deve ter início hoje à tarde. Os jovens colegiais se tornaram um dos pilares da mobilização nacional. Hoje, o ministério francês da Educação contabilizou 372 escolas fechadas no país. Para os sindicatos estudantes, a mobilização atinge mais de 1.000 estabelecimentos de ensino.

No setor de transportes, muitos passageiros encontram dificuldades para se deslocar na região parisiense com a circulação parcial de trens suburbanos.

Os principais sindicatos franceses vão se reunir para decidir como continuar a pressão e a mobilização nacional. Eles podem convocar uma nova jornada de greve nacional e manifestações no país para a semana que vem, período de férias escolares no país.

Apesar da pressão, o governo mantém o pulso firme e diz que não vai modificar a reforma da previdência, que tem como medida principal o aumento de 60 para 62 anos a idade mínima legal para a aposentadoria na França.

Presidente impopular

O projeto de lei pode ser votado nesta quinta-feira ou amanhã pelo Senado, onde o governo tem maioria e deve conseguir aprová-lo, apesar das manobras da oposição socialista de emperrar a votação.

Em seguida, o texto é apreciado por uma comissão mista, formada por deputados e senadores, antes de voltar à Assembleia e ao Senado para um voto solene, o que deve acontecer até o final da semana que vem.

Nicolas Sarkozy é o mais impopular de todos os presidentes que governaram a França nos últimos 30 anos. Segundo as últimas sondagens, apenas 30% da população tem, hoje, uma boa opinião sobre o líder francês

 

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