França/Aposentadoria

Mobilização geral na França perde fôlego

Em Paris, cerca de 170 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 31 mil, segundo a polícia, manifestaram nesta quinta-feira.
Em Paris, cerca de 170 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 31 mil, segundo a polícia, manifestaram nesta quinta-feira.

A sétima greve geral convocada na França desde setembro contra a reforma da previdência do presidente francês, Nicolas Sakrozy, dá sinais de enfraquecimento. Em Paris, o número de manifestantes caiu pela metade em relação à última paralisação geral, no dia 19 de outubro. Cerca de 270 manifestações estavam programadas em todo o país, mas os próprios líderes sindicais esperavam um número menor de participantes.

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Na capital francesa, entre 31 mil pessoas, segundo a polícia, e 170 mil, segundo os sindicatos, participaram da manifestação convocada para hoje. Esses números indicam uma queda acentuada da participação. Na última greve geral, no dia 19 de outubro, a participação foi de 330 mil pessoas, segundo os sindicatos, e 67 mil, segundo a polícia.

Nas principais cidades francesas, como Toulouse, Lyon e Marselha, a presença dos manifestantes foi  menor do que o dos protestos anteriores. Até meados da tarde desta quinta-feira, as cerca de 270 manifestações convocadas em todo o país haviam reunido 198 mil pessoas, segundo a polícia, e quase 500 mil, segundo os sindicatos.

Um dos setores mais atingidos nesta quinta-feira foi o de transportes. Na região metropolitana de Paris, a paralisação atinge parcialmente os trens suburbanos, com muitos atrasos já que, em determinadas linhas, apenas um em cada dois trens circula. Nos trajetos regionais, feitos pelo TGV, o trem-bala francês, 8 em cada 10 circulam. Na rede internacional, o tráfego é considerado normal.

No aeroporto de Orly, o segundo mais importante da França, cerca de 50% dos voos foram cancelados. A Direção Geral da Aviação Civil pediu às companhias aéreas para reduzir pela metade a programação de voos em Orly e em 30% nos outros aeroportos do país. A companhia aérea Air France anunciou que vai garantir 100% dos voos de longa distância e 85% dos voos de distâncias médias e curtas no aeroporto Charles de Gaulle, o maior da França. Apenas 4 das 12 refinarias do país continuam com a distribuição de combustíveis bloqueada.

As centrais sindicais esperam manter a mobilização em um nível elevado para continuar a prostetar contra a reforma, que prevê passar de 60 para 62 anos a idade mínima legal para aposentadoria na França. O secretário-geral da CFDT, François Chérèque, declarou hoje esperar que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, não promulgue a lei, negando uma derrota no conflito sobre a reforma da aposentadoria.

Segundo uma pesquisa de opinião pública, 65% dos franceses apoiam esta nova jornada de manifestações, índice 6 pontos menor do que a greve de 19 de outubro, segundo o instituto de sondagens CSA, autor do estudo publicado pelo jornal Le Parisien, nesta quinta-feira.

Essa é primeira jornada de protestos e manifestações após a aprovação da reforma pelo parlamento do país. Ontem a Assembleia aprovou o texto final já adotado pelo Senado na terça-feira. Com o fim do trâmite do projeto de lei no legislativo, o presidente Nicolas Sarkozy tem 15 dias para sancionar a reforma, o que deve ser feito, segundo o Palácio do Eliseu, em meados de novembro.

Além da greve nacional desta quinta-feira, os sindicalistas programaram nova jornada de protestos para o dia 6 de novembro.

 

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