Greve/França

Refinarias e transportes voltam a funcionar quase normalmente

Trabalhadores de uma refinaria do grupo Total votam o fim da greve.
Trabalhadores de uma refinaria do grupo Total votam o fim da greve. REUTERS/Stephane Mahe

No dia seguinte da sétima jornada de manifestações contra a reforma da previdência na França, que teve menor adesão que as precedentes, vários setores começam a voltar ao trabalho indicando o fim do conflito social no país.

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Após duas semanas de problemas no setor de transportes causados pela adesão ao movimento contra a reforma da aposentadoria, a SNCF, companhia francesa de trens, anuncia um tráfego quase normal nesta sexta-feira. Os trens para a Itália, Suíça e alguns trens noturnos devem, no entanto, circular ainda com um movimento abaixo do normal. Essa volta à normalidade nos transportes mostra que o movimento de greve começa a perder o fôlego após a aprovação definitiva da reforma da aposentadoria pelo parlamento francês, na última quarta-feira.

A greve também chega ao fim no setor energético, o mais mobilizado contra o aumento da idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos e que provocou a falta de gasolina em um terço dos postos de gasolina do país. Nove das 12 refinarias francesas já voltaram ao trabalho. Nas outras três, a retomada da produção também é esperada ainda hoje. Mas a União Francesa das Indústrias Petroleiras fala de prejuízos de centenas de milhares de euros por causa dos dias de greve.

Os sindicatos tentam manter a mobilização e planejam para o próximo dia 6 de novembro um novo dia de protestos, apesar da queda no número de manifestantes que foram às ruas ontem. Ao todo, cerca de 560 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior francês protestaram. Para os organizadores, as passeatas em todo o país reuniram dois milhões de manifestantes, contra mais de três milhões nas passeatas anteriores.

Essa perda de fôlego do movimento leva alguns analistas a apontar uma vitória política do presidente Nicolas Sarkozy, que não cedeu apesar da forte contestação. Segundo eles, a 18 meses das presidenciais de 2012, a reforma da aposentadoria representa a vontade do presidente de mudar a França e tranqüiliza seus tradicionais eleitores conservadores. Mas para a oposição, essa reforma revela principalmente um presidente impopular e “vai deixar marcas profundas na sociedade”, salientou o secretário-geral da central sindical Force Ouvrière, Jean-Claude Mailly.
 

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