França

Sarkozy nomeia ministério mais conservador

Ex primeiro-ministro de Jacques Chirac, Alain Juppé volta ao governo na pasta da Defesa; Michelle Alliot Marie passa da Justiça para as Relações Exteriores.
Ex primeiro-ministro de Jacques Chirac, Alain Juppé volta ao governo na pasta da Defesa; Michelle Alliot Marie passa da Justiça para as Relações Exteriores. Reuters/RFI

O governo da França dá uma guinada à direita com a reforma ministerial anunciada neste domingo. Dois aliados do ex-presidente Jacques Chirac ganham ministérios de peso: Michelle Alliot Marie vai para as Relações Exteriores e Alain Juppé entra no governo como ministro da Defesa.

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O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou na noite de domingo uma reforma ministerial marcada pela recondução ao cargo do primeiro-ministro François Fillon. De olho nas presidenciais de 2012, Sarkozy tenta, com a reforma, reverter a popularidade em queda. O novo gabiente será mais enxuto, com 31 ministros e secretários de Estado, ao invés de 37 atualmente, e reflete um governo mais de direita.

O até então ministro da Defesa, o centrista Hervé Morin, decidiu anunciar sua demissão antes da apresentação oficial do novo ministério. Ele denunciou o que chamou de uma "equipe de campanha eleitoral" e não de governo, mesma crítica feita pela oposição de esquerda.

Eduardo Cypel, deputado regional pelo Partido Socialista

O franco-brasileiro Eduardo Cypel, deputado regional pelo Partido Socialista, disse que o novo governo é uma equipe de campanha. "Em vez de Sarkozy e Fillon montarem uma equipe escutando as reivindicações sociais da população, eles preferiram fazer um governo de combate", afirmou. Sarkozy quer ocupar o terreno desde agora, se antecipando à demora do Partido Socialista, que ainda depende de primárias internas para designar um candidato em 2012.

 

Governo de continuidade

Em queda de popularidade, Sarkozy foi obrigado a reconduzir Fillon à chefia do governo. Depois de passar três anos na sombra de Sarkozy, o primeiro-ministro continua popular entre os franceses (cerca de 40% de aprovação, segundo as sondagens) e principalmente na base parlamentar da maioria governista. O premiê fixou quatro objetivos para a segunda metade do mandato presidencial: o crescimento econômico, a criação de empregos, a promoção de políticas sociais e de segurança para todos os franceses.

A composição do novo ministério dá adeus à emblemática abertura à esquerda que marcou a chegada de Sarkozy ao poder. O ex-socialista Bernard Kouchner deixa as Relações Exteriores, substituído por Michelle Alliot Marie, até então na Justiça, fiel aliada do ex-presidente Jacques Chirac. Junto com Kouchner vão embora Fadela Amara e Rama Yade, a primeira de origem árabe e a segunda, a única negra no primeiro escalão do governo. O Ministério da Imigração e da Identidade Nacional, cujas políticas no último ano dividiram o país e contribuíram para derrubar a popularidade de Sarkozy, desaparece, integrado à pasta do Interior. A ministra da Economia, Christine Lagarde, conserva sua pasta.

Sarkozy traz para seu governo um ex-primeiro-ministro de Chirac, Alain Juppé, na Defesa, com peso de número 2 no escalão ministerial. Deixam igualmente o governo Sarkozy o ministro da Ecologia, Jean-Louis Borloo, derrotado por Fillon na disputa pelo cargo de primeiro-ministro, e Eric Woerth, o ministro do Trabalho envolvido num escândalo de evasão fiscal e financiamento ilegal de campanha com a milionária Liliane Bettancourt, herdeira do grupo L'Oreal.

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