França/Remédio

Médicos pedem retirada do remédio Buflomédil do mercado francês

A revista médica Prescrire recomenda a retirada de três remédios do mercado francês.
A revista médica Prescrire recomenda a retirada de três remédios do mercado francês. Flickr/xornalcerto

A revista médica francesa Prescrire fez um apelo às autoridades sanitárias do país em sua última publicação, pedindo a retirada de três remédios do mercado, um vasodilatador, um anti-inflamatório e um anticancerígeno. O vasodilatador Buflomédil é vendido no Brasil sob o nome de Bufedil.

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Os medicamentos são perigosos para a saúde, afirma a revista médica em sua edição de janeiro começando pelo vasodilatador Buflomédil, substância ativa comercializada há mais de vinte anos na França e vendida no Brasil sob o nome de Bufedil, 150 mg. Para a revista, o remédio não tem interesse terapêutico comprovado e pode ter efeitos indesejáveis neurológicos e cardíacos, às vezes mortais, especialmente nos casos de ingestão de doses elevadas ou inadaptadas à insuficiência renal.

Em 2006, esses efeitos já eram conhecidos, denuncia a publicação, acusando as autoridades de terem retirado do mercado apenas a dosagem mais forte do remédio, a de 300 mg.

Quantas vítimas serão necessárias para a Agência Francesa de Segurança Sanitária de Produtos de Saúde tirar esse remédio da circulação, questiona a revista Prescrire, que também acusa o anti-inflamatório Nexen, composto de nimesulida, de causar graves hepatites. Este medicamento já não é mais vendido na Finlândia e na Espanha desde 2002, e também saiu das farmácias da Argentina, Bélgica e Irlanda.

Outro remédio no banco dos réus da revista francesa é o anticancerígeno Javlor, que contém vinflunina, usada no tratamento de certos cânceres em estado avançado.

O ministro francês da Saúde, Xavier Bertrand, reagiu ao artigo declarando que avaliações da relação risco-benefício de certos remédios, possivelmente perigosos, estão sendo feitas há vários meses, algumas na França e outras na Europa.

O caso trouxe à tona o escândalo de outro medicamento, o Mediator, indicado para diabéticos com excesso de peso, retirado do mercado em novembro de 2009. O Mediator poderia ter causado a morte de quinhentas a duas mil pessoas e levou o próprio presidente Nicolas Sarkozy a declarar que faria tudo para esclarecer o caso.

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