França/Brasil

Venda do Rafale ao Brasil e aos Emirados Árabes avança, diz ministro

Nicolas Sarkozy (esq.) e o ministro Alain Juppé (centro) observam um Rafale durante visita à base aérea em Saint Dizier.
Nicolas Sarkozy (esq.) e o ministro Alain Juppé (centro) observam um Rafale durante visita à base aérea em Saint Dizier. Reuters

O ministro da Defesa e número 2 do governo francês, Alain Juppé, disse nesta terça-feira que as negociações para a venda de caças Rafale ao Brasil e aos Emirados Árabes Unidos "avançam" e "vão na boa direção". O governo brasileiro tem interesse em que o negócio entre a França e o país árabe se concretize, para baixar o preço dos caças ao Brasil.

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O ministro Alain Juppé e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, visitaram nesta terça-feira a base aérea de Saint Dizier, no leste da França, para expressar os votos do governo aos militares nesse início de 2011. A escolha dessa base aérea, que abriga cerca de 50 aviões de caça Rafale, fabricados pela Dassault, tem um caráter simbólico, já que Juppé acaba de retornar do Brasil, onde assistiu à posse da presidenta Dilma Rousseff. As discussões para a venda do Rafale avançam com o Brasil e também com os Emirados Árabes Unidos, visto que as negociações com o país árabe foram retomadas, disse Juppé.

Mais cedo, em entrevista à rádio Europe 1, Juppé havia declarado que a eventual venda dos caças Rafale se insere no contexto de cooperação estratégica "considerável" entre a França e o Brasil. Juppé reafirmou sua confiança de que o governo brasileiro irá escolher os caças franceses.

Segundo a imprensa brasileira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tem atuado como uma espécie de "bombeiro" nas negociações para a venda de caças Rafale aos Emirados Árabes Unidos. No ano passado, a Dassault discutia a venda de 60 aviões aos Emirados, quando o jornal da família Dassault na França, Le Figaro, publicou em junho uma matéria indiscreta, revelando que o país árabe estaria encomendando equipamentos de vigilância eletrônica a Israel para se proteger de um eventual ataque do Irã. A notícia caiu como uma bomba no mundo árabe. Desde então, os Emirados suspenderam as negociações com o grupo Dassault.

A "mediação" de Jobim tornou-se interessante a partir desse momento. Como o Brasil negocia a venda de aviões Super Tucano ao governo de Abu Dhabi, o ministro brasileiro tem bom trânsito com as autoridades árabes. Ficou acertado que se Jobim conseguisse fazer os Emirados retomarem as negociações com a França, o Brasil obteria um abatimento no preço dos 36 caças que devem renovar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB). O presidente Sarkozy também recebeu em dezembro, no Palácio do Eliseu, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi e o desentendimento com a Dassault parece ter sido superado.

A França nunca conseguiu exportar seus aviões de caça, considerados de ótima tecnologia mas caros demais em relação aos concorrentes. No caso do Brasil, participam da licitação na FAB o sueco Grippen, o americano F-18 e o francês Rafale. Depois de declarar várias vezes que tinha uma preferência política pela compra dos caças franceses, o ex-presidente Lula deixou a decisão para o governo de Dilma Rousseff. 

A França também tenta vender atualmente 14 caças Rafale à Líbia, mas segundo Juppé as negociações estão em ponto morto. O Kuait e a Índia também demonstraram interesse pelo avião.

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