França/Política

Ministro francês nega ser racista

O ministro do Interior, Brice Hortefeux
O ministro do Interior, Brice Hortefeux Reuters

O Tribunal de Paris analisa nesta quarta-feira o pedido de recurso do ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, contestando a sua condenação em primeira instância por injúria racial.

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Em junho de 2010, a Justiça francesa considerou que o ministro do Interior, Brice Hortefeux, fez comentários preconceituosos e de mau gosto sobre os árabes, durante um coquetel do partido governista UMP, em setembro de 2009.

A polêmica começou com a difusão pelo site do jornal Le Monde de um vídeo amador que mostra Hortefeux em uma conversa descontraída com militantes. Na hora de uma pose para foto com Amine, um simpatizante de origem argelina, ele brincou sobre a presença de um árabe, dizendo: "Quando é um só tudo bem, o problema é quando há muitos".

O comentário custou ao ministro do Interior da França uma multa de 750 euros, cerca de 1.700 reais. Além disso, se ele for condenado em última instância, terá que pagar 2 mil euros (4 mil e quinhentos reais) por danos à ONG francesa "Movimento contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos".

Brice Hortefeux chegou a dizer em público que se arrependeu de ter dito a frase, mas a imprensa nacional o criticou por não ter apresentado suas desculpas ao povo árabe. A mídia internacional também deu destaque à derrapagem racista e políticos da oposição pediram, sem sucesso, a demissão do ministro do governo Sarkozy.

Em uma das primeiras audiências no tribunal, um procurador chegou a pôr em dúvida o caráter público da conversa informal entre Hortefeux e o argelino chamado Amine, já que a cena divulgada na internet foi gravada de forma amadora por um telefone celular. A única televisão presente era o canal público do Senado, que decidiu transmitir as imagens na íntegra apenas no dia seguinte, quando a polêmica já estava instalada.

 

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