Estados Unidos/ França

Sarkozy e Obama discutem nova ordem monetária internacional e terrorismo

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente norte-americano, Barack Obama,  durante cúpula sobre segurança nuclear que aconteceu em Washington, dia 12 de abril de 2010.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente norte-americano, Barack Obama, durante cúpula sobre segurança nuclear que aconteceu em Washington, dia 12 de abril de 2010. Jason Reed/ Reuters

Como presidente do G8 e do G20, o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, está em Washington para uma visita relâmpago. Ele vai pedir ao presidente Barack Obama apoio à reforma do sistema financeiro internacional e discutir questões de segurança como o combate ao terrorismo islâmico. O presidente francês está acompanhado da primeira-dama, Carla Bruni Sarkozy.

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Assessores do presidente francês deixam claro que ele não está em Washington para formular propostas conjuntas com Barack Obama e sim conquistar o apoio do americano à reforma do sistema financeiro internacional defendida pela França.

Nicolas Sarkozy tenta "emplacar" uma nova ordem monetária internacional, menos sujeita à volatilidade do dólar, assim como uma nova governança planetária mais aberta à participação dos emergentes e dos países em desenvolvimento nos fóruns multilaterais. Mas o francês encontra forte resistência em Washington. O governo de Barack Obama não aceita reduzir o papel do dólar no sistema financeiro internacional, em favor de um reequilíbrio com outras moedas.

Por trás dos sorrisos e apertos de mãos trocados diante das câmeras, ninguém ignora que a relação entre Sarkozy e Obama é fria e distante. Os telegramas diplomáticos do WikiLeaks revelaram que a Casa Branca vê Sarkozy como um aliado visceralmente pró-americano, pragmático e brilhante, mas autoritário demais e perigosamente suscetível. Uma das missões da primeira-dama Carla Bruni Sarkozy, que acompanha a visita relâmpago do marido, é atenuar essa imagem desagradável do chefe de Estado francês, que acaba prejudicando seus projetos políticos.

Sarkozy e Obama têm uma audiência de 50 minutos e um almoço de trabalho na Casa Branca. No almoço, os dois líderes vão tratar das grandes questões internacionais, como a luta contra o terrorismo islâmico, a estratégia no Paquistão e no Afeganistão, o programa nuclear iraniano e a crise política na Costa do Marfim. Os dois dirigentes devem se mostrar unidos contra o terrorismo islâmico, principalmente nesse momento em que a França teve dois reféns executados no Níger, provavelmente pelo braço da Al Qaeda na África.

Mantega alerta contra guerra comercial

Uma verdadeira guerra comercial mundial pode ser declarada se governos continuarem a especular com a redução de suas taxas de câmbio para favorecer as exportações. O alerta é do ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao jornal britâncio Financial Times publicada nesta segunda-feira.

Mantega acusa a China e os Estados Unidos de serem os principais responsáveis dessa manipulação. Ele disse que o Brasil vai entrar com queixa sobre o problema na Organização Mundial do Comércio (OMC). "A guerra cambial está se transformando em uma guerra comercial", afirmou o ministro brasileiro ao jornal. Mantega disse ainda que prepara novas medidas para frear a valorização do real, que ameaça a economia brasileira. Na última quinta-feira, o Banco Central do Brasil impôs aos bancos um depósito de garantia proporcional a suas divisas em dólar para impedir uma valorização excessiva da moeda brasileira, que bateu recorde em relação ao dólar na semana passada.

O excedente comercial anual do Brasil com os Estados Unidos se transformou em déficit por causa da recente política monetária de Washington, explicou Guido Mantega. O ministro brasileiro também pediu, na entrevista ao Financial Times, a valorização do yuan, a moeda chinesa.
 

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