Terrorismo

Grupo terrorista Aqmi diz que tiros franceses mataram reféns no Níger

Para o ministro da Defesa, Alain Juppé, não há dúvida que os reféns foram assassinados pelos sequestradores.
Para o ministro da Defesa, Alain Juppé, não há dúvida que os reféns foram assassinados pelos sequestradores. Reuters

O grupo terrorista Aqmi, braço da Al Qaeda na África, reivindicou hoje o sequestro dos dois reféns franceses mortos sábado no Níger. Em um vídeo enviado pelo canal de televisão árabe Al Jazira, um porta-voz do grupo terrorista islâmico diz que os dois rapazes foram mortos por tiros disparados por militares franceses. O governo francês nega.

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No vídeo, o grupo terrorista Aqmi afirma que Vincent Delory e Antoine De Léocour, ambos de 25 anos, foram mortos durante a operação especial lançada por helicópteros de combate e soldados franceses contra o comboio dos sequestradores. Os terroristas tentavam alcançar seu esconderijo, no Máli, depois de sequestrar os dois rapazes num restaurante da capital do Níger, Niamei. Segundo o comunicado do Aqmi, dois soldados franceses também morreram durante a operação, que foi qualificada pelos combatentes como um "enorme fracasso" para o governo francês.

O ministro francês da Defesa, Alain Juppé, sustenta a versão de que os reféns foram executados pelos terroristas. Um porta-voz do Ministério da Defesa informou nesta quinta-feira que as autópsias realizadas nos corpos dos dois rapazes, ontem, em Paris, apontaram a presença de balas nos dois reféns. Segundo o porta-voz, um dos jovens levou um tiro na testa, o que poderia significar uma execução à queima-roupa, enquanto o outro apresentava vários impactos de bala no corpo e queimaduras. Carcaças dos carros dos sequestradores foram encontradas carbonizadas após a perseguição no deserto. Uma fonte médica anônima, citada pela agência France Presse (AFP), declarou que os dois reféns estavam com as mãos atadas nas costas. Já outra fonte, próxima à presidência nigerina, disse que os dois corpos estavam calcinados.

Uma forte polêmica envolve a versão oficial do governo francês. Existem suspeitas de que disparos franceses podem ter atingido o tanque de gasolina de um dos carros dos sequestradores, onde estava um dos reféns, provocando um incêndio.  

No plano das operações policiais, as informações também são contraditórias. O ministério do Interior do Níger afirmou à AFP que não detinha nenhum terrorista ou suposto membro da rede Al Qaeda do norte da África implicado no sequestro dos reféns franceses. Já o primeiro-ministro francês, François Fillon, declarou na terça-feira que dois sequestradores haviam sido presos e entregues ao governo do Níger. Fillon também disse que eles tinham sido interrogados por agentes franceses.

Nesta quinta-feira, as declarações de uma autoridade do Níger à AFP criam ainda mais confusão e constrangimento em torno do caso. Dois militares nigerinos encontrados mortos após a operação militar teriam sido vítimas de disparos franceses. Esse dirigente, que pede anonimato, contesta a afirmação do ministro Alain Juppé de que policiais nigerinos se encontravam entre os combatentes. O dirigente afirma que os policiais perseguiam os sequestradores quando foram atingidos acidentalmente pelas forças francesas.

Grupo terrorista detém outros franceses como reféns

O grupo Aqmi promove um combate sem trégua contra os interesses franceses na África. Em agosto do ano passado, o grupo declarou o presidente Nicolas Sarkozy como um "inimigo de Deus".

Em 2010, o grupo terrorista esteve envolvido na morte de outro refém francês, Michel Germaneau. Nesse caso, até hoje pesa a mesma suspeita, se o refém foi morto acidentalmente em seu cativeiro, durante um bombardeio das forças francesas com apoio do Exército da Mauritânia, ou se Germaneau foi executado pelos sequestradores, como afirma Sarkozy.

Desde setembro, o Aqmi mantém cinco franceses, um togolês e um malgache, empregados dos grupos franceses Areva e Vinci, sequestrados na região nordeste do Máli. Em outubro, o número 1 da Al Qaeda, Ossama Bin Laden, enviou uma mensagem à Al Jazira justificando o sequestro dos franceses na região africana do Sahel.

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