França/política

Escândalo de venda de armas para Angola volta a ser julgado na França

Da esquerda para direita: Charles Pasqua, antigo ministro da França e Jean-Christophe Mitterrand, filho do ex-presidente da França François Mitterand.
Da esquerda para direita: Charles Pasqua, antigo ministro da França e Jean-Christophe Mitterrand, filho do ex-presidente da França François Mitterand. Reuters/RFI

O Tribunal de Apelação de Paris retomou o julgamento nesta quarta-feira do processo sobre tráfico de armas entre a França e a Angola nos anos 90, conhecido como Angolagate.

Publicidade

O escândalo envolve empresários e políticos da alta esfera do poder, entre eles Jean-Christophe Mitterrand, filho do ex-presidente François Miterrand e Charles Pasqua, um ex-ministro do partido UMP, do atual presidente Nicolas Sarkozy. No total, a Justiça levará a julgamento o recurso apresentado por 24 acusados, condenados em outubro de 2009 por participação direta no tráfico de armas e corrupção passiva.

É o caso de Charles Pasqua, ex-integrante do UMP, membro do governo de coabitação do presidente François Miterrand entre 1993 e 1995. Acusado de tráfico de influência e de receber propina, ele foi condenado, em 2009 a três anos de prisão, sendo dois com direito a sursis. Outra peça chave no escândalo é o empresário franco-angolano Pierre Falcone, ex-embaixador de Angola junto à Unesco. Considerado um dos articuladores da negociação da venda das armas, ele foi condenado a 6 anos de prisão e, ao contrário do ex-ministro, aguarda a sentença na prisão. O empresário franco-israelense de origem russa Arcadi Gaydamak, um dos envolvidos mais citados no processo, está atualmente foragido.

Jean-Christophe Miterrand, filho de Miterrand, não recorreu da pena de dois anos de prisão com sursis e multa de 100 mil euros. Mesmo assim, ele compareceu à audiência desta quarta-feira. Vinte testemunhas foram citadas pelos advogados de defesa, entre elas o ex-presidente Jacques Chirac e o atual ministro da defesa, Alain Juppé. Mas poucos devem comparecer ao tribunal se não forem solicitados pela Justiça.

As acusações de tráfico de armas compreendem o período entre 1993 e 1998, durante os mandatos dos ex-presidentes François Miterrand, de esquerda, e Jacques Chirac, de direita e prejudicam, desde então, as relações entre a França e o país africano. O processo, que teve início há dois anos, tinha, ao todo, 42 acusados. Em outubro de 2009, 36 deles foram condenados. O recurso junto ao Tribunal de Apelações de Paris será julgado no próximo dia 2 de março.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.