Renault/escândalo

Ex-executivos suspeitos de espionagem industrial contra-atacam na justiça

Michel Balthazard, ex-funcionário da Renault diante da sede da société em Boulogne-Billancourt, em 11 janeiro de 2011.
Michel Balthazard, ex-funcionário da Renault diante da sede da société em Boulogne-Billancourt, em 11 janeiro de 2011. AFP/BERTRAND GUAY

Os três ex-funcionários da automobilística francesa Renault acusados de espionagem industrial e demitidos após investigações comandadas pela empresa decidiram contra-atacar e entraram com ação na justiça para ter acesso ao processo e defender sua honra.

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Os três suspeitos decidiram sair do anonimato e manifestar a sua indignação à luz do dia. Michel Balthazard, que ocupava o posto mais alto - membro do comitê diretor da Renault - e Matthieu Tenenbaum, anunciaram que vão dar queixa à justiça contra o construtor, por denúncia caluniosa.

Junto com um terceiro colega de trabalho, Bertrand Rochette, eles são acusados de divulgar informações secretas ligadas a um projeto confidencial do grupo francês, o carro elétrico, no qual foram investidos, com o parceiro japonês Nissan, 4 milhões de euros, cerca de 9 milhões de reais. Contra essas informações "top secret", os três executivos teriam recebido dinheiro em contas abertas na Suíça.

Em entrevista à radio francesa Europe 1, Matthieu Tenenbaun, ex-diretor de programa adjunto do carro elétrico, afirmou que, aos 33 anos de idade, estava em uma trajetória profissional ascendente, ganhando em torno de 135 mil reais por ano. "Não tenho conta na Suíça e rejeito todas as acusações", declarou.

Os acusados têm a esperança de que sua queixa seja aceita pelo tribunal de justiça. Se for o caso, poderão ser acompanhados por um juiz de instrução, terão acesso ao processo e poderão realizar por conta própria investigações no exterior que ajudem a provar sua inocência.

Os três acusados também recorreram à uma instância trabalhista para protestar contra sua demissão por justa causa, que os privaram de suas indenizações.

Já o advogado da Renault explica que as estratégias de defesa dos antigos executivos e seus advogados foram respeitadas, mas que se trata realmente de um caso grave de espionagem industrial econômica. Em agosto de 2010, depois de receber uma carta anônima denunciando os três executivos, a Renault lançou uma investigação interna, dirigida por um detetive particular. O detetive, assim como os responsáveis da segurança do construtor, serão ouvidos pela polícia ainda esta semana.

 

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