França/ Política

Alegação de doença não adia julgamento de ex-presidente Chirac

O ex-presidente francês, Jacques Chirac, 6 de janeiro de 2011.
O ex-presidente francês, Jacques Chirac, 6 de janeiro de 2011. Reuters/Benoit Tessier

O Tribunal de Paris decidiu nesta segunda-feira manter a abertura do processo que visa a determinar a responsabilidade do ex-presidente Jacques Chirac em um caso de 28 empregos fantasmas na prefeitura de Paris, ocorridos quando ele ocupava o cargo de prefeito, no dia 7 de março. Hoje, durante audiência do processo, a defesa de Chirac tinha pedido o adiamento, por prazo indeterminado, do início da sessão em que o ex-presidente deverá depor em juízo.

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Os advogados de Jacques Chirac, que presidiu a França de 1995 a 2007, alegaram em seu pedido que a justiça deveria aguardar o final da negociação entre o ex-presidente, o partido UMP e a prefeitura de Paris sobre uma indenização financeira neste caso. Mas neste final de semana, a imprensa francesa revelava que o verdadeiro motivo para o adiamento do processo seria a suposta saúde fragilizada de Chirac.

A polêmica logo cresceu e ontem o Journal du Dimanche levantou a possibilidade de o ex-governante estar com o Mal de Alzheimer. Nesta segunda-feira, a mulher de Chirac, Bernadette, negou que o marido estivesse com a doença e disse que ele está apto a comparecer à audiência na data prevista.

As aparições públicas de Chirac, de 78 anos, têm sido cada vez mais esporádicas, e nas últimas vezes em que foi visto, o ex-presidente demonstrava cansaço. Em 2005, ele sofreu um acidente vascular-cerebral.

Embora as chances de condenação sejam remotas, este processo por desvio de fundos e abuso de confiança é histórico. Esta é a primeira vez que um ex-presidente francês é convocado pela Justiça. Chirac será julgado, juntamente com outros nove envolvidos, por 28 empregos fantasmas na prefeitura de Paris, entre 1992 e 1995, quando ele era prefeito da capital francesa. Em tese, ele pode ser condenado a uma pena de até 10 anos de prisão, 150 mil euros de multa e 10 anos de inelegibilidade.

No dia è de março, data prevista para a abertura do processo, o Tribunal de Paris voltará a se pronunciar sobre um eventual adiamento do julgamento.

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Reuters/Charles Platiau

 

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