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Acidente/ AF447

Justiça francesa indicia Airbus por homicídio involuntário

O presidente da fabricante europeia Airbus não concorda com o indiciamento.
O presidente da fabricante europeia Airbus não concorda com o indiciamento. DR
Texto por: RFI
3 min

A Justiça francesa determinou hoje que a fabricante de aviões Airbus deve ser indiciada por homicídio involuntário pelo acidente com o voo AF447, que provocou a morte de 228 pessoas. O Airbus A330 da companhia Air France caiu no oceano Atlântico enquanto realizava o trajeto Rio de Janeiro-Paris, em 31 de maio de 2009.

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A responsabilidade da Air France vai ser analisada nesta sexta-feira e a companhia deve ser submetida à mesma decisão.

O presidente da Airbus, o alemão Thomas Enders, compareceu ao escritório da juíza encarregada das investigações, Sylvie Zimmerman, para receber a comunicação do indiciamento da gigante de aeronaves, em Paris. “Nós desaprovamos totalmente esta decisão que nos julgamos prematura”, declarou Enders aos jornalistas ao final do encontro. Ele destacou que a companhia vai continuar cooperando com as investigações do caso, especialmente na busca pelas caixas-pretas.

O presidente da Air France, Fernand Garnault, afirma que não há um novo elemento que justifique o indiciamento em inquérito das duas empresas por homicídio involuntário ou culposo, ou seja, provocar a morte sem intenção de dá-la. Por outro lado, o procedimento permitirá que a Airbus e a Air France tenham acesso ao dossiê e possam iniciar um diálogo transparente com as partes civis. Esta é uma reivindicação das famílias das vítimas, que pedem mais clareza e rapidez nas informações.

No mês passado, a juíza Zimmerman anunciou aos advogados das famílias das vítimas a sua intenção de mover uma ação judicial contra as empresas, sem detalhar os fundamentos jurídicos desta decisão.
É provável que seja abordado o papel das sondas Pitot no acidente e seu congelamento em alta altitude, já constatado e incluído nos relatórios. Estas sondas, que medem a velocidade do aparelho, equipavam os modelos A330 e A340 e foram substituídas em toda a frota da Air France depois da catástrofe.

O BEA - organismo francês encarregado das investigações e análises de acidentes aéreos - constatou uma falha das sondas Pitot no momento do acidente, mas não concluiu que elas causaram a queda do avião. Como as caixas pretas do AF447 não foram encontradas até agora, os investigadores não têm as gravações das conversas dos pilotos, nem os dados do voo.

Se a Air France acha o indiciamento prematuro, Airbus lembra que seus aviões são mais seguros do que nunca e que vem cooperando totalmente nas investigações e nas buscas. Até hoje, nenhum indiciamento havia sido feito, na esperança de que as caixas pretas poderiam esclarecer as causas do acidente.

Uma quarta fase de buscas no mar vai começar no dia 21 deste mês, no Oceano Atlântico, abrangendo uma nova área de 75 quilômetros de diâmetro que cobre 10.000 km2. A operação pode seguir até o mês de julho e terá três etapas, de 36 dias cada uma. O custo da operação ficará em torno de R$21 milhões. Até hoje, apenas 3% dos destroços do aparelho e cerca de 50 corpos foram encontrados.
 

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