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França/Escândalo

Ministro acusado de assédio sexual pede demissão do governo Sarkozy

O vice-ministro Georges Tron fotografado em novembro passado no Palácio do Eliseu, em Paris.
O vice-ministro Georges Tron fotografado em novembro passado no Palácio do Eliseu, em Paris. AFP/LIONEL BONAVENTURE
3 min

Mais um político francês perde o cargo envolvido num escândalo sexual. Depois de Dominique Strauss-Kahn, no FMI, o vice-ministro do funcionalismo público francês, Georges Tron, pediu demissão neste domingo depois de ser acusado por duas mulheres de agressões sexuais.

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Há vários dias o vice-ministro Georges Tron, que ocupa o cargo de secretário de Estado do funcionalismo público no governo Sarkozy, estava na corda bamba. Também prefeito de Draveil, cidade situada ao sul de Paris, Tron é acusado de crimes sexuais por duas mulheres que trabalharam com ele na prefeitura. Os fatos relatados pelas ex-assessoras à polícia teriam ocorrido em 2007 e 2010. Um inquérito preliminar foi aberto para investigar as acusações.

Em entrevista ao jornal Le Parisien de sábado, as duas mulheres, identificadas como Eloise, 36 anos, e Laura, 34 anos, fizeram duras acusações contra o vice-ministro, encorajadas pela prisão de Dominique Strauss-Kahn em Nova York. Elas nunca trabalharam juntas na prefeitura de Draveil, mas relataram cenas de assédio de Tron, que impunha carícias íntimas durante o expediente. Eloise e Laura, assim como outras testemunhas, afirmam que Tron tinha uma cúmplice: a secretária municipal da Cultura Brigitte Gruel. Ela é investigada por tentativa de estupro e agressão sexual no inquérito aberto pelo Ministério Público.

Laura contou à polícia ter sido obrigada a praticar jogos sexuais a três na prefeitura de Draveil, envolvendo o político e sua secretária municipal da Cultura. O jornal Le Parisien relata que Eloise tentou prestar queixa contra o vice-ministro há dois anos, mas acabou fazendo um acordo. Obrigada a se demitir em 2009, acusada pelo então prefeito de ter desviado dinheiro público dos cofres da prefeitura, ela procurou um advogado trabalhista que reverteu a situação para que ela pudesse receber o seguro-desemprego. O advogado afirma que sua cliente teve um quadro depressivo e pensou em se suicidar. Para intimidá-la, o ministro teria ameaçado transferir a guarda do filho dela ao serviço social do Estado. 

Georges Tron entrou para o governo Sarkozy no ano passado. Um dos principais aliados do presidente francês, ele nega as acusações e tentou se agarrar ao cargo até sua permanência se tornar insustentável. O vice-ministro afirma ser vítima de um complô para prejudicar sua carreira política. Ele alega que as duas mulheres que o acusam são ligadas à extrema-direita e tentam se vingar por terem sido demitidas da prefeitura. 

O premiê François Fillon aceitou a demissão do aliado, afirmando que afastado do governo Tron poderá preparar sua defesa com total liberdade. Tron foi substituído provisioriamente no cargo pelo ministro do Planejamento, François Baroin.

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