Dominique Strauss Kahn/escândalo

Ex-diretor do FMI comparece ao tribunal nesta segunda-feira

Imagem de Dominique Strauss-Kahn no tribunal de Manhattan, em 16 maio de 2011.
Imagem de Dominique Strauss-Kahn no tribunal de Manhattan, em 16 maio de 2011. Reuters/Shannon Stapleton

O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, deverá defender sua inocência na audiência prevista para esta segunda-feira no tribunal de Nova York. Acusado por uma camareira de tentativa de estupro e outros seis crimes, ele passou o domingo na sua residência, onde vive em liberdade vigiada desde o dia 25 de maio.

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Os advogados de Strauss-Kahn, Benjamin Brafman e William Taylor, afirmam que seu cliente vai se declarar inocente. Strauss-Kahn comparecerá ao tribunal nesta segunda-feira para a audiência que vai formalizar a leitura da acusação. A abertura da sessão está marcada para 10h30m no horário de Brasília.

O juiz Michael Obus vai perguntar ao ex-diretor do FMI se ele é culpado ou inocente. Caso ele confesse o crime, o que é pouco provável, não haverá processo e Strauss-Kahn deverá ‘negociar’ sua pena com a justiça americana.

Segundo especialistas, neste cenário ele seria condenado a, no mínimo, cinco anos de prisão. Insistindo na sua inocência, Strauss-Kahn terá que se submeter a um processo nos próximos meses e enfrentar no tribunal as acusações da suposta vítima, uma camareira de 32 anos do hotel Sofitel, onde DSK estava hospedado antes de ser indiciado. Ele pode ser condenado a até 74 anos de prisão.

Preso no dia 14 de maio, o ex-diretor do FMI rejeitou as acusações em uma carta enviada ao FMI no dia 22, oito dias depois, onde declara que a "verdade virá à tona." O advogado de Strauss-Kahn, Benjamin Brafman, afirmou ao canal francês M6 que ele não é culpado e está confiante na sua liberação. Recentemente, Brafman criticou o vazamento na imprensa de informações que podem comprometer o direito de seu cliente "a um julgamento justo."

Os advogados escreveram uma carta à promotoria de Manhattan, denunciando a divulgação feita pela polícia de Nova York de elementos considerados como segredo de justiça, como os exames que confirmaram a presença de DNA de Strauss-Kahn nas roupas da suposta vítima, por exemplo. Eles também afirmaram ter em mãos provas que podem comprometer a camareira. O advogado dela, Jeffrey Shapiro, declarou que isso não o surpreende, mas trata-se de um "golpe baixo” da defesa.

Outra dificuldade enfrentada por Strauss-Kahn será a presença de duas promotoras-assistentes no tribunal, conhecidas pela pouca condescendência em relação aos crimes sexuais : Joan Illuzzi-Orbon, que dirige a unidade especial contra crimes raciais de Nova York e Ann Prunty, famosa pelo seu poder de convencimento sobre os 12 jurados.

Dominique Strauss-Kahn vive em liberdade vigiada desde o dia 25 de maio em uma casa em TriBeCa, um bairro elegante no sul de Manhattan, cujo aluguel está estimado em 50 mil dólares mensais. Ele pode sair apenas para ir ao tribunal, ao médico e ao escritório de seus advogados, o que aconteceu duas vezes. O ex-diretor do FMI é obrigado a usar um bracelete eletrônico e teve seu passaporte apreendido pela polícia. Strauss-Kahn também está autorizado a receber visitas no horário comercial. Sua mulher, Anne Sinclair, esteve com ele neste sábado, acompanhada de uma de suas filhas, Vanessa.
 

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