França/Sequestro

Jornalistas franceses sequestrados no Afeganistão chegam à França

Stéphane Taponier (esq.) e Hervé Ghesquière foram libertados depois de 18 meses de cativeiro no Afeganistão.
Stéphane Taponier (esq.) e Hervé Ghesquière foram libertados depois de 18 meses de cativeiro no Afeganistão. Reuters

Os jornalistas franceses Hervé Ghesquière e Stéphane Taponier desembarcaram na manhã desta quinta-feira em Paris após 18 meses sequestrados pelos talibãs no Afeganistão. Em entrevista coletiva ainda na pista do aeroporto militar de Villacoublay, os ex-reféns disseram não terem sido ameaçados de morte em nenhum momento e nem de terem sofrido maus tratos. O governo francês não esclareceu ainda detalhes das negociações com os sequestadores.

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Visivelmente emocionados, mais magros, mas aparentemente em bom estado de saúde, os dois jornalistas foram recebidos no aeroporto militar de Villacoublay, na região sudoeste da capital francesa pelos seus familiares, representantes dos comitês de apoio pela liberação e também pelo presidente Nicolas Sarkozy sua esposa Carla Bruni-Sarkozy. O chefe de estado francês optou pela discrição e deu orientações para não aparecer diante das câmeras no momento de receber os dois ex-reféns.

Hervé Ghesquière e o repórter cinematográfico Stéphane Taponier disseram que “nunca foram ameaçados de morte e nunca agredidos” durante os 18 meses que ficaram nas mão dos talibãs, no interior do Afeganistão. Ghesquière afirmou que durante 6 meses, entre 13 de abril e 13 de dezembro, ele ficou separado de seu colega.  “ Não representávamos nenhum risco para eles. Nunca recebemos maus tratos”, confirmou Taponier.

Os dois jornalistas, enviados pelo canal France 3 para fazer uma reportagem no Afeganistão, foram seqüestrados no dia 30 de dezembro a 60 quilômetros de Cabul, na província de Kapisa, região onde há uma maior presença de militares franceses encarregados de uma missão definida pela coalizão internacional.

Durante o período em que estiveram detidos, Taponier e Ghesquière disseram ter tido acesso à emissoras de rádio, citando principalmente a Rádio França Internacional.  “Ouvíamos de tempos em tempos RFI e estávamos conscientes da mobilização para nossa libertação, o que foi importante, aliás, muito importante para nós”, declarou Taponier.

Do aeroporto, os dois jornalistas foram encaminhados a um hospital para fazer exames e depois deverão visitar a redação da TV France 3 onde são aguardados por seus colegas.

Resgate?

O intérprete dos dois jornalistas, Reza Din, foi libertado na quarta-feira. Os outros dois acompanhantes dos jornalistas haviam sido liberados “há um certo tempo”, mas a informação foi mantida em sigilo por razões de segurança, afirmou o chanceler francês, Alain Juppé.

O governo francês não deu maiores detalhes das negociações envolvendo a libertação dos dois jornalistas após 547 dias de seqüestro. Não há informações sobre as eventuais contrapartidas exigidas pelos talibãs para liberar os dois reféns.

“A França não paga resgate”, se limitou a dizer o ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, desmentido informações da imprensa francesa de que o governo havia efetuado o pagamento de resgate através do Paquistão.

 

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