França/Corrupção

Caso Karachi: ex-ministro da Cultura é indiciado

Renaud Donnedieu de Vabres, ex-ministro da Cultura no governo Chirac, foi indiciado nesta quinta-feira no caso Karachi.
Renaud Donnedieu de Vabres, ex-ministro da Cultura no governo Chirac, foi indiciado nesta quinta-feira no caso Karachi. Flickr/Nicolas Esposito

O ex-ministro da Cultura Renaud Donnedieu de Vabres, uma personalidade proeminente do partido governista UMP, foi indiciado nesta quinta-feira pela Justiça, que investiga um suposto esquema de financiamento ilegal da campanha eleitoral de Édouard Balladur em 1995. Ele é suspeito de "cumplicidade no abuso de bens públicos". Essa é a primeira vez que uma antiga autoridade da maioria no poder é oficialmente envolvido na investigação em curso sobre o chamado caso Karachi.

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A cinco meses das eleições presidenciais, esse caso se tornou um objeto de batalha política. O Partido Socialista, principal força da oposição, critica duramente o presidente Nicolas Sarkozy. Já os partidários do chefe de Estado afirmam que ele não tem nada a ver com o suposto esquema de corrupção.

O candidato socialista às eleições presidenciais, François Hollande, disse hoje desejar que a Justiça investigue o caso Karachi até o fim "de maneira independente e sem entraves". Ele insistiu que os investigadores devem ter acesso a todos os elementos. "Documentos demais ainda são classificados como segredos de defesa e não foram consultados", disse Hollande.

Renaud Donnedieu de Vabres já havia sido detido para averiguações pela polícia financeira na terça-feira e liberado provisoriamente no final da tarde de ontem. Hoje, o ex-ministro foi convocado diante do juiz encarregado da investigação para ser notificado sobre seu indiciamento.

Escândalo

Ministro da Cultura de Jacques Chirac entre 2004 e 2007, Renaud Donnedieu de Vabres é suspeito de ter participado do desvio de comissões pagas pelo governo francês para obter contratos de venda de armamentos nos anos 90. Na época ele era conselheiro especial do ministro da Defesa, François Léotard.

O dinheiro desviado se originava de comissões legais enviadas a intermediários na venda de submarinos ao Paquistão e de fragatas à Arábia Saudita.

Esses fundos teriam servido para financiar a campanha à presidência do então primeiro-ministro Édouard Balladur. Suspeita-se que há uma ligação entre esse esquema de corrupção e um atentado no Paquistão que matou 15 pessoas em 2002, das quais 11 franceses que trabalhavam na construção dos submarinos.

Dois colaboradores próximos de Nicolas Sarkozy, Nicolas Bazire - ex-diretor de campanha de Édouard Balladur - e Thierry Gaubert já foram indiciados, assim como Ziad Takieddine, intermediário nos dois contratos.

Várias testemunhas declararam ao juiz que Renaud Donnedieu de Vabres havia imposto na negociação Ziad Takieddine e um outro intermediário, Abdulrahman El Assir, com o suposto objetivo de organizar o desvio das comissões.

Ouvido no ano passado como testemunha, o ex-ministro declarou ao juiz que não havia participado da discussão sobre o contrato paquistanês e especificou: "Para mim não há nenhuma ligação entre a negociação desse contrato e o financiamento da campanha de Balladur".

Renaud Donnedieu de Vabres já foi condenado em 2004 a pagar uma multa de € 15 mil euros em um processo por lavagem de dinheiro.

Na época dos fatos o atual presidente Nicolas Sarkozy era ministro do Orçamento e porta-voz da campanha de Édouard Balladur.

Dominique de Villepin, ex-secretário-geral do palácio do Eliseu (1995-2002) e ex-primeiro-ministro (2005-2007), será ouvido em janeiro como testemunha na investigação do caso Karachi.

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