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França/ Toulouse

França reage à ameaça de pai de atirador de processar o país

Pai de Mohamed Merah acha que polícia francesa poderia ter mantido o seu filho vivo.
Pai de Mohamed Merah acha que polícia francesa poderia ter mantido o seu filho vivo. REUTERS/France 2 Television/Handout
Texto por: RFI
4 min

Nesta manhã, mais um desdobramento do caso do atirador de Toulouse provocou a revolta do governo francês. O pai de Mohamed Merah, que mora na Argélia, afirmou que pretende processar o Estado francês por ter matado o seu filho. A declaração levou o presidente Nicolas Sarkozy a dizer que ficou "indignado" com a notícia. 

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"Foi com indignação que fiquei sabendo que o pai do assassino de sete pessoas queria processar a França pela morte do seu filho", disse Sarkozy hoje de manhã. "Estes questionamentos do nosso país são indecentes. Eles são indignos e não ficarão impunes", declarou.

O anúncio de processar a França havia sido feito ontem. “Vou contratar os maiores advogados e trabalhar o resto da minha vida para pagar os custos. A França é um grande país que tinha meios de prender o meu filho vivo. Eles poderiam tê-lo dopado com gás e depois o prendido, mas preferiram matá-lo”, acusou Mohamed Benalel Merah.

“Se eu fosse pai de um monstro como este, eu me calaria de vergonha”, reagiu o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé.

Vídeo pode ser divulgado

A polícia confirmou que é autêntico o vídeo recebido pelo canal Al Jazeera na França, em que aparecem cenas dos sete assassinatos cometidos pelo atirador, causando a morte de três militares, três crianças e um rabino. Por enquanto, nenhuma imagem foi divulgada. A emissora recebeu ontem um pacote contendo uma carta e um pen drive onde estão gravadas as imagens. Sarkozy, o Conselho Superior de Audiovisual e o ministério das Relações Exteriores solicitaram ao canal para não publicarem as cenas "por respeito às vítimas", de acordo com o presidente.

“Há os ataques perpetrados em Toulouse e Montauban na ordem cronológica”, relatou o diretor da Al Jazeera em Paris, Zied Tarrouche. “É a direção quem vai decidir sobre o que vai acontecer. Há muitos elementos para considerar.” Tarrouche disse que a decisão sobre a divulgação ou não das imagens será tomada “durante o dia” em uma reunião da direção-geral da emissora, no Catar.

As gravações foram realizadas com uma câmera especial fixada no peito do atirador. As cenas foram editadas, com cânticos muçulmanos ao fundo, o que reforça a hipótese de que o homem pode ter tido cúmplices nos crimes. Além disso, o carimbo da correspondência data de quarta-feira de manhã, quando o suspeito já estava cercado pela polícia. Resta saber se foi o próprio Merah quem colocou o envelope no correio na véspera ou se algum colaborador o ajudou nesta tarefa, como o irmão dele, Abdelkader.

Quatro juízes de instrução foram designados para apurar o caso, especialmente sobre a colaboração do irmão, que continua detido em regime de isolamento em uma prisão da periferia de Paris.

Quanto à carta, o texto foi definido como "fantasioso" pela polícia: o jovem diz pertencer à rede terrorista Al-Qaeda, mas ele não utiliza nem os códigos nem as reivindicações normalmente usados pela organização internacional.
 

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