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França/Política

Processo da primeira-dama contra autores de biografia vira caso político

Valérie Trierweiler assina autógrafos no palácio do Eliseue, em Paris, no dia 16 de setembro.
Valérie Trierweiler assina autógrafos no palácio do Eliseue, em Paris, no dia 16 de setembro. REUTERS/Bertrand Langlois
Texto por: RFI
4 min

Em uma primeira audiência, a justiça francesa determinou nesta segunda-feira que uma decisão sobre os aspectos formais do processo da primeira-dama da França, Valérie Trierweiler, contra o editor e os autores da biografia "La Frondeuse" (A Insubordinada, em tradução livre) será divulgada no dia 28 de janeiro. A defesa denuncia "pressões" sobre a justiça por parte do presidente François Hollande.

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O prazo determinado pela justiça para divulgar uma decisão beneficia o editor do livro, que poderá ser vendido livremente até o dia 28 de janeiro.

Esse caso ganhou um viés político depois que os advogados de defesa tomaram conhecimento, no domingo, de cartas ao juiz assinadas pelo presidente François Hollande, que desmentiu um trecho do livro, e do ministro do Interior, Manuel Valls, que afirma nunca ter dito frases atribuídas a ele no livro.

Para a defesa, "a separação dos poderes foi violada" e essas cartas correspondem a pressões sobre a justiça.

A advogada de Valérie Trierweiler, Frédérique Giffard, negou qualquer "pressão" por parte do presidente, "já que ele não é parte no processo". Ele "considerou adequado" escrever essa carta "para que a justiça fosse plenamente informada", disse ela aos jornalistas."Se Valérie Trierweiler tivesse falado em nome dele, isso teria sido criticado", acrescentou a advogada.

No que diz respeito à carta de Manuel Valls, "é ainda mais indireto, já que ele não fala dos trechos sobre os quais há um litígio", avaliou ela. Essas duas cartas, que datam de novembro, são "anexos", elas não são "indispensáveis" ao processo.

Uma fonte próxima de François Hollande disse à Agência France Presse que o presidente não tem intenção de "pressionar" a justiça, e que essa carta é somente um "testemunho pessoal".

Denúncia

Em sua  texto, o presidente denuncia como "pura fábula os trechos do livro relativos a uma suposta carta que nunca foi escrita e portanto nunca chegou ao seu suposto destinatário". 

Ele faz referência a uma carta que, segundo os autores da biografia, Hollande teria enviado ao ex-primeiro-ministro de direita Edouard Balladur. Segundo os escritores, o líder socialista teria procurado se encontrar e se "aproximar" de Balladur.

Valérie Trierweiler exige € 80 mil de indenização e € 5 mil de despesas processuais dos autores, Christophe Jakubyszyn, chefe do serviço político do canal de televisão TF1-LCI, e Alix Bouilhaguet, repórter da editoria de política do canal France 2, e do editor, Yves Derai, das Éditions du Moment.

Ela também pede €70 mil de indenização da revista Point de Vue, que publicou no início de outubro uma entrevista com os autores da biografia.

De acordo com seu editor, a obra vendeu até agora "cerca de 20 mil exemplares". Os dois jornalistas falam no texto sobre uma relação íntima que Valérie Trierweiler teria mantido com Patrick Devedjian, uma das figuras de destaque da direita francesa. 

Oposição

A oposição de direita aproveitou a ocasião para criticar o presidente François Hollande. Bruno Beschizza, secretário-nacional da UMP (União por um Movimento Popular), o partido do ex-presidente Sarkozy, afirmou em um comunicado que essas duas cartas "podem de maneira legítima serem consideradas como uma maneira de pressionar tanto o tribunal quanto os jornalistas que cobrem esse evento".

O partido de extrema-direita Frente Nacional também protestou. "É escandaloso. Acho que a separação dos poderes nesse país não é respeitada", disse o deputado Gilbert Collard.

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