França/ próteses

Promotor pede quatro anos de prisão a fundador de silicone defeituoso

Jean-Claude Mas, fudador da fábrica de próteses de silicone PIP, em foto de 17 de abril.
Jean-Claude Mas, fudador da fábrica de próteses de silicone PIP, em foto de 17 de abril. REUTERS/Philippe Laurenson

O promotor do Ministério Público francês pediu hoje, num tribunal de Marselha, França, uma pena de quatro anos de prisão para o fundador da empresa dos implantes mamários PIP, Jean-Claude Mas. Ele é o principal acusado pelo escândalo mundial de próteses defeituosas utilizadas para implantes mamários por mais de 7,4 mil vítimas.

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O promotor, Jacques Dallest, exigiu que Jean-Claude Mars, 73 anos, fundador da empresa Poly Implant Prothese (PIP), uma multa de 100 mil euros e uma proibição permanente de prática médica e gestão de empresas. A PIP utilizou em milhares de implantes mamários um silicone que não estava licenciado para esse fim, provocando um escândalo sanitário a nível mundial.

O advogado do empresário, Yves Haddad, comparou seu cliente a um boxeador que levou um golpe, mas que “vai se levantar”. Já as vítimas consideram que a pena não é suficiente. “Quatro anos não são o bastante por tudo que ele fez. É uma vergonha”, disse uma, que acompanhava o julgamento. “Qualquer que seja a pena, será de apenas alguns minutos de prisão por vítima, o que é insignificante”, declarou outra.

O principal advogado das usuárias das próteses, Philippe Courtois, avalia que a pena máxima, de cinco anos de detenção, seria “normal” para o caso de Mas. O promotor pediu penas de seis meses a dois anos de prisão para os outros quatro acusados, por cumplicidade.

Queixas do mundo inteiro

Durante uma década, entre 2001 e 2010, mais de 300 mil mulheres do mundo inteiro receberam próteses da empresa francesa. A ação judicial inclui 7.445 mil queixas e 300 advogados. Destas, 2,5 mil vêm do exterior.

Jean-Claude Mas admitiu que os implantes eram preenchidos com uma receita caseira e não aprovada, à base de gel de silicone para uso industrial. Ele e quatro outros executivos são acusados de fraude qualificada. As próteses irregulares já foram retiradas do mercado. Na época do escândalo, o governo francês recomendou que mulheres com próteses da PIP as retirassem, devido ao grande risco de um vazamento.

Um pavilhão de exposições próximo à antiga fábrica da PIP foi transformado em tribunal improvisado para acomodar a multidão esperada para o julgamento, que deve durar até 14 de maio. Médicos dizem não haver indício de relação entre essas próteses e casos de câncer de mama, mas, nos meses subsequentes à revelação da fraude, cirurgiões plásticos do mundo todo disseram ter recebido um grande número de solicitações para retirarem as peças de pacientes preocupadas.

Metade das francesas com implantes da PIP, ou quase 15 mil, já optaram por retirá-las, seja por causa de rupturas ou por precaução, segundo o governo.

Mas passou oito meses detido por não pagar fiança, mas foi libertado em outubro. À polícia, ele disse que 75% das próteses da sua empresa continham o gel caseiro, mas nega que o produto fosse perigoso. Os cinco réus se declaram inocentes.
 

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