França/Hollande

Para oposição, François Hollande não traz soluções para salários e desemprego

O presidente François Hollande durante a coletiva de imprensa nesta quinta em Paris
O presidente François Hollande durante a coletiva de imprensa nesta quinta em Paris REUTERS/Benoit Tessier

A entrevista coletiva de 2h40 do presidente francês, François Hollande, gerou diversas reações nesta sexta-feira. Para a oposição e os sindicatos, Hollande não trouxe soluções para as duas maiores preocupações da população, que são o desemprego e as políticas salariais.

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A principal preocupação de Hollande foi transmitir a ideia de que ele é um chefe de Estado voluntarista e ofensivo, e não um presidente indeciso e sem iniciativa, como critica a oposição. Mas o discurso decepcionou a imprensa e muitos analistas pela ausência de medidas vigorosas de combate à crise econômica. Durante sua intervenção, Hollande reafirmou promessas e disse que vai inverter a curva ascendente do desemprego até o final do ano, apesar do ceticismo dos economistas.

O presidente prometeu um grande plano de investimentos para relançar a economia e tocou em temas tabus como a redução dos custos do trabalho e até uma nova reforma das aposentadorias. Mas na opinião do analista político Alfredo Valladão, professor da Sciences Po, em Paris, nada garante que os franceses estejam mais confiantes. "Ele foi muito defensivo, tentando justificar tudo o que tinha feito no primeiro ano, mesmo aceitando o fato de que é um presidente impopular", disse o cientista político.

Segundo ele, o presidente também quis justificar que suas escolhas foram corajosas, e pediu que os franceses julguem seu mandato em cinco anos.A oposição não demorou para reagir. Para o líder da bancada do partido UMP na Assembleia, Bernard Accoyer, a intervenção do presidente foi um "grande exercício de autojustificação."

O líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, criticou a promessa de um "governo econômico para a Europa", uma iniciativa, segundo ele, proposta pela chanceler Angela Merkel e manipulada para ter maior aceitação na França.Para Thierry Lepaon, secretário-geral da CGT, o maior sindicato do país, em relação ao salários e aos empregos, a maior preocupação dos franceses, não houve nenhuma resposta concreta.
 

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