França/Protesto

Polícia teme violência em protesto contra casamento gay em Paris

Desde o sábado, manifestantes anticasamento gay invadiram a avenida dos Champs Elysées.
Desde o sábado, manifestantes anticasamento gay invadiram a avenida dos Champs Elysées. AFP PHOTO / FRANCOIS GUILLOT

Milhares de pessoas já estão reunidas nas ruas de Paris para participar de mais uma grande manifestação contra o casamento gay. Três cortejos vão partir de diferentes pontos da cidade em direção à esplanada de Invalides. Católicos integristas realizam outro protesto perto da Opera de Paris. A segurança foi reforçada com 4.500 policiais nas ruas. As autoridades temem distúrbios pela presença de grupos de extrema-direita entre os manifestantes.

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A lei autorizando o casamento homossexual foi promulgada pelo presidente François Hollande no dia 18, mas seus opositores continuam reivindicando a revogação do texto. Os manifestantes vão começar a caminhada em direção a Invalides às 14h no horário local, 9h em Brasília. A expectativa é que 200 mil pessoas participem dos protestos.

O ministro do Interior, Manuel Valls, e outros políticos fizeram apelos para que as famílias não levem crianças, temendo violências de parte de grupos de extrema-direita. A oposição de direita acusa o governo socialista de tentar intimidar os manifestantes, criando um clima de medo em torno dos protestos.

Frigide Barjot, opositora ao casamento gay e ícone do movimento "Manif pour Tous", não vai participar. Ela diz que recebeu ameaças e também não quer ser confundida como personalidade de extrema-direita. O secretário-geral da UMP, Jean-François Copé, maior partido de oposição ao governo socialista, vai estar no cortejo.

Pelo menos dois grupos estão no comando dos protestos. Católicos integristas do Instituto Civitas e um movimento novo e nebuloso, o "Printemps français" (Primavera Francesa), cujo objetivo é atrair o maior número de católicos dogmáticos e outros grupos de extrema-direita contra o casamento gay. Atualmente, esse movimento conta com 700 seguidores no Twitter, mas o risco é que ele foi aceitando, ao longo das manifestações, a adesão de nacionalistas radicais e grupelhos xenófobos.

Em sua edição de hoje, o jornal Le Monde afirma que depois do combate de vários meses contra uniões homoafetivas, o que sobrou é uma tentação neoconservadora de direita entre seus opositores. Segundo o jornal, a resistência ao casamento homossexual se manifesta principalmente entre os católicos mais fervorosos, que dizem com frequência que dar aos homossexuais os mesmos direitos concedidos aos heterossexuais representa "uma mudança de civilização".

Um especialista do catolicismo na França, Philippe Portier, ouvido pelo Le Monde, explica que essa parcela da população tem a impressão que o mundo vai desabar se pessoas do mesmo sexo começarem a se unir e formar famílias como os heterossexuais. As convicções mais íntimas, alimentadas pela doutrina da Igreja, perdem o sentido.

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