França/Terrorismo

Carlos, o Chacal, é condenado em última instância em Paris

Carlos, o Chacal, em foto de 2000
Carlos, o Chacal, em foto de 2000 REUTERS/Reuters Tv/Files
Texto por: RFI
3 min

Nesta quarta-feira, o venezuelano Ilich Ramirez Sanchez, mais conhecido como Carlos, o Chacal, teve uma última oportunidade de apelar ao tribunal de Paris da acusação de promover quatro atentados que deixaram 11 mortos e cerca de 150 feridos na França do início dos anos 80. Mais uma vez, a apelação não funcionou e ele foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado.

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Durante processo de primeira instância, em dezembro de 2011, Carlos falou durante cinco horas. Mas o monólogo fez pouca diferença: como hoje, ele foi condenado à prisão perpétua, 18 anos em regime fechado. Na última segunda-feira, depois de oito horas de audiências, o júri voltou a pedir pena máxima, a este homem considerado de "extrema periculosidade", mesmo aos 63 anos.

Chacal aderiu à luta armada pela causa palestina nos anos 70 e depois, de acordo com a acusação, abandonou a motivação política e passou a empreender uma "guerra particular" e acabou se transformando em "mercenário" para o crime organizado.

Os atentados nos trens entre Paris e Toulouse, entre Marselha e Paris e na estação Saint Charles em Marselha seriam exemplos da motivação pessoal do terrorismo do Chacal. O objetivo destes ataques, que ocorreram entre 1982 e 1983, era pressionar autoridades pela libertação de sua companheira alemã Magdalena Kopp, além do suíço Bruno Breguet. Ambos haviam sido presos em Paris em fevereiro de 1982 por porte ilegal de armas e explosivos. Diante do júri, ele negou envolvimento nos atentados.

Coluna vertebral da acusação, os arquivos dos serviços secretos de países da antiga União Soviética, onde Carlos se refugiou nos 80, não têm valor legal, de acordo com a defesa. Entre os documentos, há recortes de jornais romenos, relatórios de vigilância anônimos húngaros e compilações de arquivos da Alemanha Oriental. "São colagens e cópias de cópias", denunciam os advogados.

Quando foi anunciado o veredicto, o Chacal fez uma advertência aos juízes: "Se vocês derem o menor valor a essas coisas aí (os documentos dos antigos países comunistas), vocês são cúmplices de falsificação. A responsabilidade pessoal é de vocês", ameaçou.

Carlos, o Chacal, ficou preso na França depois de ser capturado no Sudão pela polícia francesa, em agosto de 1994. Em 1997, foi condenado à prisão perptétua pelo assassinato de três homens - entre eles, dois policiais - em Paris, 1975. Uma nova condenação no atual julgamento pode dificultar o processo de progressão de pena relativo a seu primeiro processo.

Outra ré do caso é a alemã Christa Frohlich, de 70 anos, acusada de ajudar na preparação de um atentado. A ex-militante de extrema-esquerda foi absolvida em primeira instância e não compareceu no julgamento desta semana, em que a promotoria pediu 20 anos de prisão.

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