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França/Justiça

Sarkozy é suspeito de tráfico de influência no Judiciário

O ex-presidente Nicolas Sarkozy pode ter o futuro político comprometido por um novo processo judicial.
O ex-presidente Nicolas Sarkozy pode ter o futuro político comprometido por um novo processo judicial. REUTERS/Charles Platiau
4 min

A França vive um momento inédito de sua história política. O jornal Le Monde revela nesta sexta-feira (7) que o ex-presidente Nicolas Sarkozy está sob escuta judicial desde o ano passado, no âmbito de uma investigação sobre suposto financiamento de sua campanha presidencial de 2007 pelo ex-ditador líbio Muammar Kadafi. Para surpresa dos juízes, as escutas telefônicas revelaram que Sarkozy pode estar comprometido com tráfico de influência em favor de um procurador da mais alta instância do Judiciário francês.

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Nunca, na França, um ex-presidente da República tinha sido colocado sob escuta da justiça. Segundo o Le Monde, além de Sarkozy também foram ouvidas as conversas telefônicas de dois ex-ministros do Interior do ex-presidente, Claude Guéant e Brice Hortefeux, e de seu advogado, Thierry Herzog.

Os juízes tomaram a decisão corajosa de "grampear" Sarkozy em abril do ano passado, quando investigavam suspeita de corrupção durante a campanha presidencial de 2007, um processo que ficou conhecido na França como "caso Bettencourt". De acordo com o Le Monde, o que eles não esperavam era descobrir que Sarkozy tinha um "informante" no alto escalão do Judiciário, o procurador Gilbert Azibert, da Corte de Cassação. 

As primeiras escutas telefônicas não deram em nada. Desconfiados, os juízes perceberam que Sarkozy passou a usar outro telefone quando deixou a presidência, uma linha adquirida com um nome falso, fornecida por seu advogado, Thierry Herzog, que fez a mesma coisa. Perspicazes, os juízes descobriram e grampearam os novos telefones. As escutas subsequentes revelaram o novo escândalo que pode comprometer o retorno de Sarkozy à política em 2017.

Bisbilhotagem amiga

Segundo o Le Monde, o procurador Azibert fornecia informações privilegiadas e detalhadas sobre outro caso judicial no qual Sarkozy está envolvido, referente ao empresário Bernard Tapie e uma indenização milionária que ele recebeu do Estado durante a presidência do líder de direita. Em troca dessa "bisbilhotagem amiga" do procurador, que acabou ajudando o advogado de Sarkozy a defendê-lo e livrá-lo de indiciamentos, Azibert esperava contar com a influência de Sarkozy para obter um posto de fim de carreira, como conselheiro de Estado, no principado de Mônaco.

Essa descoberta revelada hoje pelo Le Monde levou os juízes a abrir uma nova investigação para apurar o envolvimento de Sarkozy e de seu advogado em "violação do segredo de instrução" e "tráfico de influência", no último dia 26 de fevereiro. No início de março, os juízes de instrução fizeram perquisições nos domicílios e escritórios do procurador, do advogado de Sarkozy e também examinam o correio eletrônico entre eles.

Novo inquérito

A Corte de Cassação, mais alta instância do Judiciário francês, está em polvorosa com o vazamento dessas suspeitas de influência entre o Executivo e o Judiciário. Quanto a Sarkozy, que tem se apresentado nas últimas semanas como uma figura incontornável na sucessão presidencial de 2017, seu futuro político parece comprometido.

Ainda ontem, o ex-presidente deu queixa na justiça contra um ex-assessor que gravava as reuniões que ele fazia no Palácio do Eliseu. A esquerda pode respirar, ainda vem muito chumbo contra Sarkozy pela frente.

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