França/Economia

Empregados fazem greve de fome para impedir fechamento de fábrica

Cartaz na  entrada da fábrica de cigarros Seita de Carquefou, onde cinco pessoas mantém uma greve de fome há 11 dias em protesto pelo fechamento da fábrica.
Cartaz na entrada da fábrica de cigarros Seita de Carquefou, onde cinco pessoas mantém uma greve de fome há 11 dias em protesto pelo fechamento da fábrica. Youtube/ l'Humanité

Cinco funcionários de uma fábrica de charutos no interior da França entraram nesta quinta-feira (9) em seu décimo-primeiro dia de greve para protestar contra o fechamento da empresa. Os sindicatos recusaram hoje propostas da direção para acompanhar os empregados demitidos.

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"Estou acabada, destruída, com meu moral lá embaixo", disse Christel, de 54 anos, enquanto manifestava em uma cadeira de rodas diante do Palácio de Justiça da prefeitura de Nantes. Funcionária da empresa Seita há nove anos, ela exibia uma camiseta com os dizeres: "Minha vida pelo meu trabalho".

Desde o anúncio da direção da Seita, filial do grupo britânico Imperial Tobacco, de uma reestruturação e fechamento da fábrica na cidade de Carquefou, Christel participou de várias ações em protesto pela decisão. Entre elas, o sequestro de executivos da empresa por um período de 24 horas. Sem atingir o resultado esperado, ela se sentiu "obrigada a tomar uma atitude extrema" e parou de comer desde o dia 29 de setembro.

"Eu me sinto muito mal, e a direção nos ignora completamente. Como eles não nos escutam, não tivemos outra escolha", argumenta Christel, ao lado de mais quatro funcionários em greve de fome e dezenas de outros trabalhadores da empresa que participaram do protesto no centro de Nantes, no oeste da França.

Por questões de segurança, eles retiraram na manhã desta quinta-feira (9) as barracas montadas em frente à fábrica que está fechada há três semanas. No entanto, decidiram manter a mobilização e organizaram o protesto diante do tribunal de Nantes onde deram entrada com um recurso para impedir o fechamento da fábrica.

Na sequência, o grupo se dirigiu até a prefeitura da cidade, onde uma delegação foi recebida no início da tarde. Os manifestantes estavam vestidos com coletes amarelos e carregavam fotos dos funcionários que fazem greve de fome.

Greve de fome deve continuar

"Em Carquefou, mais de 70% dos assalariados foram transferidos. Este é um grito de desespero, queremos respostas", disse Myriam. O marido dela, Francis, terminou uma greve de fome na terça-feira (7) e chegou a ser hospitalizado por várias horas.

"Os funcionários que não puderam vir aqui hoje estão em depressão, não conseguem sair de casa. Há seis meses não conseguimos dormir direito", diz Francis, em referência à data em que foi comunicado o fechamento da fábrica.

Frédéric, que perdeu sete quilos com sua greve de fome, acusa a direção de querer "comprar seu silêncio" e denuncia "um caso extremo", já que a Seita teria lucrado € 570 milhões com a unidade de Carquefou.

Os sindicatos dos trabalhadores da Seita recusaram nesta quinta-feira as medidas propostas pela empresa para dar assistência aos funcionários demitidos. Os grevistas de fome anunciaram que irão lutar pela empresa "até o fim".

Questionada pela agência AFP, a direção da Seita disse não ser insensível à greve de fome de alguns empregados, mas considera "uma reação extrema por causa das condições (de demissão) negociadas com os sindicatos".
 

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