França/Sarkozy

Sarkozy, ex-presidente francês, lava roupa suja em livro

O presidente francês Nicolas Sarkozy
O presidente francês Nicolas Sarkozy Reuters/Pascal Rossignol

Depois de Valérie Trieweiller, a ex-companheira do presidente François Hollande, agora é a vez do ex-chefe de estado francês Nicolas Sarkozy fazer comentários maldosos contra seus inimigos. Chegou às bancas nesta quarta-feira o livro “Ça reste entre nous” ("Fica entre nós" em tradução livre). Assinado por duas jornalistas francesas, ele traz um apanhado de acusações, feitas em off, do ex-presidente contra seus opositores do Partido Socialista e rivais dentro do próprio partido.

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Ninguém escapou da língua ferina de Sarkozy, conhecido como o "presidente dos ricos" pelo seu apego às boas coisas da vida. Entre as vítimas do ex-chefe de Estado estão o presidente François Hollande, o primeiro-ministro Manuel Valls, a líder do partido de extrema-direita Marine Le Pen e até mesmo alguns dos correligionários de seu partido, a UMP.

O livro é uma coletânea de entrevistas concedidas a Nathalie Schuck e Frédéric Gerschel, duas jornalistas do jornal Le Parisien-Aujourd’hui en France. As conversas foram gravadas no escritório do presidente situado na rua Miromesnil, uma das áreas mais nobres Paris.

Os ataques diretos contra François Hollande são surpreendentes: "ele se veste mal, come batata-frita. Em um cargo como esse, é preciso prestar atenção." O ex-presidente também não poupa o episódio envolvendo a traição de Hollande. Mesmo vivendo há dez anos com a jornalista Valérie Trieweiller, o atual presidente foi flagrado de capacete em cima de uma lambreta em frente ao prédio da atriz Julie Gayet. "Depois dessas fotos, Hollande se tornou um presidente ridículo", resumiu Sarkozy.

O premiê Manuel Valls também não foi poupado: "ele deveria colocar óculos, ele tem um olhar fugitivo, parece um louco". Sobre a atuação de Valls como ministro do Interior, Sarkozy resume: "existe uma diferença fundamental entre nós dois: sua política não traz nenhum resultado."

Correligionários também sofrem ataques

Seus rivais dentro da UMP também foram alvos de ataques ferrenhos: "Na UMP, são todos uns imbecis!". Já o futuro candidato às primárias da UMP para as eleições presidenciais de 2017, Alain Juppé, 69 anos, foi chamado de velho. "Alain Juppé, eu gosto dele. Ele tem dez anos a mais. Como ter um rival melhor ? Eu me sinto jovem perto dele."

Para a líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, Sarkozy reservou um comentário deselegante: “ela é grandona, parece um homem, desses que carregam mudança.” O comentário foi ironizado por Le Pen. “Responder o quê? Vindo de um ‘Apolo’ como ele...Tudo o que ele diz só demonstra que ele não está aqui para resolver os problemas da França.”
 

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