França/Grupo Estado Islâmico

Mãe de jihadista francês diz que foi pressionada para reconhecer filho em vídeo do EI

À direita, uma foto de Michael dos Santos retirada de sua conta no Twitter; e, à esquerda, o rapaz que aparece no vídeo
À direita, uma foto de Michael dos Santos retirada de sua conta no Twitter; e, à esquerda, o rapaz que aparece no vídeo

Um dia depois de várias fontes confirmarem a identidade do segundo jihadista francês que aparece em um vídeo divulgado pelo grupo Estado Islâmico, a mãe de Mickael dos Santos, que havia identificado o filho, voltou atrás. Ana dos Santos teria reconhecido o rapaz nas imagens da decapitação em massa de 18 soldados sírios, além do americano Peter Kassig.

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Mas em uma entrevista concedida à televisão francesa na noite desta quinta-feira (20), a mãe do rapaz voltou atrás e disse que foi pressionada durante o interrogatório. À BFMTV, ela afirmou exatamente o contrário do depoimento divulgado: o rapaz barbado que aparece com uma touca e trajes camuflados durante os assassinatos não é Mickael dos Santos.

"Não é meu filho", afirmou. "Eu não o reconheci e eu disse (isso) para a polícia. Mas eles me perguntaram várias vezes se eu tinha certeza. Me fizeram repetir várias vezes. Aí, chegou uma hora em que eu comecei a duvidar e disse que não sabia mais se era meu filho ou não. Agora, quanto mais eu olho, mais eu acho que não é meu filho".

A organização terrorista também desmentiu a informação e afirma que a pessoa que aparece no video é Abu Uma-raim, um combatente sírio, e não o jovem francês de origem portuguesa. Em sua conta no Twitter, o próprio Mickael Dos Santos disse não ser um dos carrascos que aparecem no vídeo.

Sem confirmação oficial

As autoridades francesas afirmam que não cometeram erro. Ainda que o nome de Mickael dos Santos tenha sido divulgado por diversas fontes, elas garantem que não houve, em nenhum momento, identificação formal do rapaz. Quem divulgou que a mãe teria reconhecido o rapaz foi o especialista em terrorismo Jean-Charles Brisard, que afirmou inclusive que Ana dos Santos estava "arrasada".

Dominique Adenot, prefeito de Champigny-sur-Marne, cidade da periferia de Paris onde o jihadista nasceu e cresceu, disse na quarta-feira (19) que Ana já havia procurado a polícia anos antes para alertar sobre a radicalização do rapaz. De acordo com ele, esse aviso teria sido ignorado.

Apesar de diversas fontes confirmarem que Mickael está na Síria entre os combatentes do grupo Estado Islâmico, a tese de que ele aparece no vídeo da decapitação em massa já havia sido contestada. No dia em que seu nome veio à tona, alguns especialistas afirmaram que o jihadista falava um árabe fluente demais para um recém-convertido que cresceu em uma família católica franco-portuguesa.
 

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