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França/Atentados

Edição histórica de Charlie Hebdo esgota em poucos minutos

Os franceses fizeram fila desde cedo, antes da abertura das bancas, para comprar Charlie Hebdo.
Os franceses fizeram fila desde cedo, antes da abertura das bancas, para comprar Charlie Hebdo. REUTERS/Stephane Mahe
Texto por: RFI
4 min

Uma semana depois do atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos, uma edição histórica da publicação chegou nesta quarta-feira (14) às bancas e esgotou em poucos minutos. Os franceses fizeram fila para comprar o semanário desde as primeiras horas da manhã. Para atender à demanda, a tiragem inicial de 1 milhão de exemplares foi ampliada para 3 milhões e depois para 5 milhões, que chegarão às bancas até o dia 19 de janeiro.

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Em Paris e em grandes cidades francesas, os primeiros 700 mil exemplares da edição de Charlie Hebdo acabaram em poucos minutos. Leitores fizeram fila e só os que chegaram bem cedo, na abertura das bancas, garantiram o exemplar. Com a distribuição de hoje esgotada, muitos franceses compraram outro semanário considerado alternativo e satírico, "Le Canard Enchainé", que também sofreu ameaça na sexta-feira (9) de que seria o próximo alvo dos terroristas. 

Esta edição de Charlie Hebdo, chamada "dos sobreviventes", foi traduzida em cinco línguas: inglês, espanhol e árabe, para as versões digitais, e também em italiano e turco na versão impressa. A distribuição será em 25 países, algo inédito para a imprensa francesa. A capa, divulgada previamente, mostra a caricatura do profeta Maomé com uma lágrima, segurando o cartaz "Je suis Charlie" ("Eu sou Charlie") e o título: "Tudo está perdoado".

O cartunista Luz, autor do desenho, explicou a escolha: "Não era a capa que muitas pessoas gostariam que fizéssemos. Mas é a capa que nós decidimos fazer. Não é a capa que os terroristas gostariam que fizéssemos, porque aqui não tem terroristas. Só um homem que chora, Maomé... Sinto muito, nós voltamos a desenhá-lo, mas o Maomé que desenhamos é um homem que chora antes de qualquer coisa."

Muitos muçulmanos consideram a reprodução da imagem do profeta Maomé uma ofensa. Depois do ataque contra a sede da revista, os irmãos Kouachi disseram que vingaram o profeta.

Reações no mundo muçulmano

O estilo polêmico e ousado do Charlie Hebdo, visto mais uma vez na nova edição, provoca reações de condenação. A principal autoridade do Islã no Egito, Shawqi Allam, disse que a charge da capa de Charlie Hebdo "é uma provocação injustificada aos 1,5 bilhão de muçulmanos em todo o mundo". A principal autoridade sunita, Al-Azhar, baseada também no Cairo, declarou que a caricatura "vai atiçar o ódio". No Irã, o site de informação conservador Tabnak afirma que Charlie insulta novamente o profeta.

O grupo Estado Islâmico considera "extremamente estúpida" a publicação das novas caricaturas.

A união mundial das autoridades religiosas muçulmanas diz que a publicação só dará credibilidade à tese de que o Ocidente é contra o islamismo. Na França, os responsáveis muçulmanos pediram calma.

Ao contrário da imprensa francesa e europeia, a maioria dos grandes jornais de países muçulmanos da África e da Ásia não reproduzem a capa de Cherlie Hebdo em respeito à proibição, para os muçulmanos, de representar o profeta. Rara exceção é o jornal turco de oposição Cumhuriyet, que publica boa parte da edição dos sobreviventes.

A capa de Charlie Hebdo não poderá ser vista em todo o mundo ocidental. Nos Estados Unidos, onde a sátira religiosa é tabu, e na maioria dos jornais britânicos, a charge não será reproduzida. No entanto, Washington fez questão de afirmar o "apoio absoluto ao direito de Charlie Hebdo publicar o desenho".

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