Davos/Hollande

Em Davos, Hollande tenta ganhar confiança de investidores após ataques

O presidente francês, François Hollande, discursou no Fórum Econômico Mundial de Davos, nesta sexta-feira (23).
O presidente francês, François Hollande, discursou no Fórum Econômico Mundial de Davos, nesta sexta-feira (23). REUTERS/Ruben Sprich

O presidente francês, François Hollande, discursou nesta sexta-feira (23) no Fórum Econômico Mundial de Davos falando dos atentados que abalaram a França, mas de olho na confiança dos investidores. O chefe de Estado insistiu que o país ainda é um local seguro para os mercados após os ataques e lembrou que a responsabilidade da luta contra o terrorismo é global.

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“A resposta contra o terrorismo deve ser global, internacional, compartilhada pelos Estados, governos, mas também pelas empresas, especialmente as maiores, que também devem agir”, disse Hollande fazendo um apelo para que o sistema financeiro corte as fontes de financiamento de grupos extremistas

O presidente francês lembrou que todos os países estão suscetíveis ao terrorismo. Embora a França venha intensificando sua luta contra o islamismo radical, Hollande acredita que seja necessário uma implicação mais efetiva de países e empresas. “A França não pode agir sozinha. É preciso uma mobilização internacional”, sublinhou.

Investimento internacional

Para isso, o chefe de Estado propôs que a comunidade internacional e os grandes estabelecimentos financeiros façam mais esforços contra o tráfico de armas e contra o financiamento de grupos extremistas. De acordo com Hollande, é preciso que algumas medidas, como um registro europeu de passageiros aéreos e um grande investimento em cibersegurança, sejam tomadas rapidamente. “É um investimento que custa caro, mas que deve ser feito pela França, pela Europa e pelo mundo.”

Segundo Hollande, as empresas não devem apenas produzir riquezas, mas dividi-las corretamente para reduzir falhas, como a lavagem de dinheiro, que possam financiar os grupos extremistas. “A economia também deve ser considerada como um elemento de segurança”, declarou. “Nossos interesses são comuns se todos nós encararmos nossas responsabilidades”, argumentou.

Economia verde

O aquecimento global foi outro assunto abordado por Hollande durante seu discurso. O chefe de Estado acredita que é urgente criar uma agenda de soluções para limitar a emissão de gases e aumentar os fundos verdes. “É preciso investir massivamente na economia verde”, insistiu. Ele lembrou que os fundos da ONU que financiam ações contra o aquecimento global obtiveram somente US$ 10 bilhões, “enquanto US$ 100 bilhões são necessários todos os anos”.

BCE

Hollande elogiou o programa de compra de títulos governamentais lançado ontem (22) pelo Banco Central Europeu (BCE) que pretende injetar bilhões de euros na economia europeia. “Esta decisão tomada pelo BCE nos obrigam a ser mais audaciosos e acelerar o crescimento e a criação de empregos”, observou.

Para o chefe de Estado, o banco desempenha corretamente seu papel "lutando contra o desemprego e dando prioridade para o crescimento econômico”. “A nós cabe aplicar a aceleração e o movimento, e é isso que a França vai fazer”, concluiu.

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