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França/Grécia

Ministro das Finanças da Grécia visita Paris em busca de aliados contra austeridade

O novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis.
O novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis. REUTERS/Marko Djurica
Texto por: RFI
5 min

O novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, faz uma visita a Paris a partir deste sábado (31), dois dias antes do inicialmente previsto. A Grécia busca aliados na Europa para combater a política de austeridade defendida pela Alemanha e outros governos liberais do bloco, assim como apoio à reestruturação da dívida grega. A chanceler alemã, Angela Merkel, descartou hoje um novo perdão da dívida grega.

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Em Paris, o ministro grego do Syriza deve se reunir no domingo com o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, e da Economia, Emmanuel Macron. A França também é favorável ao fim da ortodoxia fiscal no bloco e tem defendido iniciativas europeias de estímulo ao crescimento.

Em uma entrevista publicada hoje na Grécia, na revista Agora, o ministro grego das Finanças disse que seu governo protegerá os interesses dos investidores estrangeiros no país. "Os investimentos feitos no setor produtivo nacional permanecerão intactos e temos a intenção de atrair novos investimentos, de forma transparente, para preservar interesses comuns", afirmou Varoufakis.

O governo de extrema-esquerda tenta evitar uma fuga ainda maior de capital estrangeiro e dar um mínimo de segurança aos investidores, depois de anunciar esta semana a suspensão de vários projetos de privatização, entre eles o do porto de Pireu, em Atenas. O governo do ex-premiê Antonis Samaras havia pré-selecionado a gigante chinesa Cosco e outros quatro grupos estrangeiros para tocar o projeto.

Banco franco-americano vai assessorar renegociação

Antes de deixar Atenas, Varoufakis anunciou que o banco franco-americano Lazard foi escolhido para assessorar o governo grego nas negociações sobre a dívida pública. Na sexta-feira, em entrevista ao canal de BFM TV, o vice-presidente do Lazard na Europa, Matthieu Pigasse, defendeu uma redução da dívida grega da ordem de € 100 bilhões. O banco já deu assessoria à Grécia de 2010 a 2012 e atualmente participa como consultor do fundo de reestruturação bancário grego.

Merkel descarta novo perdão da dívida

A eleição de um governo de extrema-esquerda na Grécia não tem impacto, por enquanto, na posição da Alemanha, que segue intransigente em relação ao cumprimento dos acordos assinados pela Grécia com o FMI e as instituições europeias.

Ontem, o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou que pretende romper com a tutela da troika, formada pelo FMI, a União Europeia e o Banco Central Europeu. Mas, impassível, a chanceler Angela Merkel descartou neste sábado um novo perdão da dívida grega.

Em entrevista ao jornal alemão Hamburger Abendblatt, Merkel lembrou que, em 2012, bancos privados "renunciaram voluntariamente a bilhões da dívida grega". "Eu não vejo nenhum novo alívio da dívida", disse a chanceler. Esta é a primeira entrevista concedida por Merkel sobre a situação da Grécia desde a vitória do partido de extrema-esquerda Syriza nas eleições de domingo passado.

No início de 2012, a Grécia concluiu uma operação de troca de dívida. Na ocasião, credores privados aceitaram substituir os títulos que tinham em caixa por outros papéis menos rentáveis. A operação permitiu que € 100 bilhões da dívida de Atenas fossem apagados. Mas a economia da Grécia, sob assistência financeira internacional desde 2010, está esmagada pelo peso de sua dívida, que atingiu cerca de 175% do seu Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, mais de € 320 bilhões.

Merkel afirmou que "a Europa vai continuar a mostrar solidariedade em relação à Grécia, como a outros países particularmente afetados pela crise, se esses países continuarem a realizar reformas estruturais e medidas de economia nas despesas públicas", explicou a líder alemã.

Questionada sobre os primeiros anúncios do governo Tsipras, como o aumento do salário mínimo e a contratação de funcionários públicos, Merkel destacou: "Nós, a Alemanha e outros parceiros europeus, estamos aguardando para ver com que conceito o novo governo grego virá a nós".

Em uma nota muito pessimista, analistas do banco alemão Berenberg avaliam que, após o retorno ao crescimento em 2014 (a previsão oficial é de 0,6%), a Grécia entrará em um novo período de recessão com o Syriza no governo.

Tsipras em Paris na quarta

O primeiro-ministro Alexis Tsipras inicia amanhã um giro diplomático pela Europa, em busca de apoio à sua luta contra a austeridade. A primeira etapa da viagem será em Chipre, no domingo. Depois, ele vai à Itália, na terça-feira, e na quarta virá a Paris, a convite do presidente François Hollande. Até o momento, Tsipras não tem prevista nenhuma visita a Berlim.
 

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