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França/Acidente

Copiloto da Germanwings quis deliberadamente destruir o avião

O copiloto Andreas Lubitz, em foto de seu perfil no Twitter.
O copiloto Andreas Lubitz, em foto de seu perfil no Twitter. Twitter
3 min

O procurador de Marselha, Brice Robin, responsável pelas investigações judiciais sobre a queda do Airbus A320 da Germanwings, na última terça-feira (24), disse em entrevista coletiva que o "copiloto demonstrou uma vontade deliberada de destruir o avião". Identificado pelo nome de Andreas Lubitz, 28 anos, o copiloto tinha sido contratado pela Germanwings em setembro de 2013 e não constava da lista de pessoas suspeitas de ligação com o terrorismo. 

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Segundo o procurador de Marselha, o copiloto Andreas Lubitz ficou sozinho na cabine nos últimos 10 minutos do voo, antes do choque fatal contra os Alpes franceses. A análise da caixa-preta contendo os últimos 30 minutos de conversas no cockpit revelou que, durante 20 minutos, comandante e copiloto, ambos alemães, conversam normalmente. Depois, o comandante de bordo prepara o briefing de aterrissagem em Dusseldorf e troca informações com o co-piloto, que passa a responder de forma lacônica.

Copiloto manipula descida do avião

Em seguida, ouve-se um ruído de cadeira e o comandante deixa a cabine. Quando fica sozinho no cockpit, o copiloto manipula a descida do avião, diz o procurador. “A ação é voluntária”, enfatiza Brice Robin. Quando percebe a perda de altitude, o comandante faz vários apelos para que o copiloto abra a porta, mas ele não dá nenhuma resposta. Pela gravação, ouve-se perfeitamente a respiração de Lubitz e ela é normal, segundo o procurador. "Não é de uma pessoa passando mal, de alguém que está sofrendo um infarto", insistiu.

Durante os oito minutos de queda do avião, os controladores aéreos fazem vários apelos para que o voo 4U9525 acione o transponder, equipamento que coloca o avião em situação de prioridade em relação a qualquer outro voo. O copiloto não responde, fica silencioso o tempo todo. Ouve-se apenas sua respiração, ritmada, normal, de acordo com o procurador Robin. A torre de controle até pediu para outros aviões entrarem em contato com o Airbus, mas Lubitz não responde. Nenhuma mensagem de emergência foi enviada aos controles aéreos.

Comandante e tripulação dão socos na porta da cabine

Nos últimos minutos, ouve-se pessoas dando socos na porta da cabine, tentando desesperadamente abrir a porta, que é blindada. Segundo o procurador, as vozes eram do comandante e de um membro da tripulação. Em nenhum momento houve resposta. Os gritos dos passageiros só são ouvidos alguns instantes antes do choque fatal. O Airbus A320 se espatifou contra a montanha a 750km por hora.

Questionado se o copiloto quis se matar, o procurador de Marselha declarou: "uma pessoa que quer se matar e tira a vida de 149 pessoas? Eu não chamaria isso de suicídio". Ao mesmo tempo, Robin não relacionou o acidente a um ato terrorista. 

A segunda caixa-preta contendo os dados técnicos do voo não foi encontrada até agora. 

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