França/ política

Além de brigas familiares, financiamento ilegal também afeta partido Frente Nacional

Prestador de serviços próximo a Marine Le Pen foi indiciado por arrecadação ilegal de fundos para partido político.
Prestador de serviços próximo a Marine Le Pen foi indiciado por arrecadação ilegal de fundos para partido político. REUTERS/Martin Bureau/Pool

Em meio a uma crise política e familiar, o partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN) também deverá responder a uma denúncia de financiamento ilegal de campanha. A presidente da sigla, Marine Le Pen, um deputado e um senador podem estar envolvidos em uma investigação feita pelo Ministério Público.

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Na quarta-feira (8), os juízes Renaud Van Ruymbeke e Aude Buresi anunciaram o indiciamento de Frédéric Chatillon, próximo de Le Pen e diretor da Riwal, a principal prestadora de serviços ao partido. A empresa tem um histórico de ligação com movimentos de extrema-direita e se encarrega da publicação de toda a propaganda da Frente Nacional, entre outras funções.

Os juízes explicaram que a líder da Frente Nacional pode ter feito “falsos” contratos de trabalho “a dois de seus conselheiros”, o de comunicação e o seu porta-voz, durante a campanha para as eleições presidenciais e legislativas na França em 2012.

Os dois conselheiros em questão, David Rachline e Nicolas Bay, atualmente são senador e deputado europeu, respectivamente. Bay ainda ocupa o posto de secretário-geral do FN. A Justiça vai verificar se os salários deles durante as campanhas não escondiam, na realidade, doações ilegais disfarçadas aos candidatos do partido.

Justiça se aproxima da cúpula do partido

A prestadora de serviços Riwal era a responsável pelos pagamentos. Chatillon foi indiciado por financiamento ilegal de partido político. A investigação de várias campanhas da Frente Nacional já resultou em outros indiciamentos por arrecadação irregular de fundos, mas essa é a primeira vez que a apuração chega tão perto da direção do partido.

As somas envolvidas são pequenas – mas não impedem a Justiça francesa de convocar os dois parlamentares, e provavelmente a própria Le Pen, nas próximas semanas. No total, Bay e Rachline receberam € 11,5 mil (R$ 37,5 mil) por dois meses de trabalho.

O imbróglio judicial acontece no mesmo momento em que o partido promove um racha inédito com o fundador da sigla, Jean-Marie Le Pen, em represália aos comentários racistas persistentes do pai de Marine Le Pen. Desde que assumiu a presidência da Frente Nacional, Marine tem se esforçado para dissipar a imagem de um partido xenófobo. Graças a esse processo de “desdiabolização”, como definem os analistas franceses, a sigla tem conquistado cada vez mais adesão da população.
 

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