Indústria bélica

Com a venda de 36 caças à Índia, França celebra segunda exportação dos Rafale

Primeiro-ministro da Índia Narendra Modi em encontro com Hollande.
Primeiro-ministro da Índia Narendra Modi em encontro com Hollande. REUTERS/Charles Platiau

Dois meses após a venda de 24 aviões para o Egito, a França obteve, nesta sexta-feira (10), um segundo contrato para exportar exemplares do caça Rafale, uma das vedetes da indústria bélica do país. Em visita a Paris, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anunciou a compra de 36 aeronaves. Os termos e condições ainda serão negociados.

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A venda é considerada uma conquista do presidente François Hollande, após três anos de longas negociações. Mas também foi uma surpresa, já que a intenção inicial da Índia era a de comprar 126 aparelhos, exigindo que 108 fossem fabricados em seu próprio território. Um contrato tão extenso se revelou difícil de se concretizar.

No lugar, um acordo menor, de apenas 36 aeronaves – todas fabricadas na França, pelo consórcio composto pelas gigantes Dassault (60%), Thales (22%) e Safran (18%). A espinhosa questão da transferência de tecnologia – que foi uma das exigências do Brasil no período em que negociou com o governo francês uma possível encomenda de Rafales – ainda não foi discutida entre França e Índia.

Alívio para os franceses

Embora os valores não tenham sido revelados, estima-se que o contrato valerá entre € 4 bilhões e € 7 bilhões. Esta segunda venda internacional em apenas dois meses representa um alívio para os franceses, que durante anos tiveram dificuldade em exportar este que é considerado o mais completo avião de guerra já fabricado pelo país e que será a estrela da Força Aérea francesa pelos próximos 30 anos – além de garantir 7 mil empregos em sua fabricação.

O primeiro exemplar dos Rafale foi construído em 1994 e, desde então, 104 já foram entregues às Forças Armadas francesas, de um total de 225. Durante quase todo o governo Lula, França e Brasil negociaram uma possível renovação da frota brasileira com aviões Rafale. Para decepção do governo francês – o então presidente Nicolas Sarkozy chegou a dar como certa a venda –, o Brasil acabou optando pelos aviões suecos Gripen, em uma decisão polêmica, que teria contrariado militares brasileiros e que até hoje aguarda um desfecho.

Os Rafale foram utilizados com sucesso pela França em missões no Afeganistão, na Líbia e no Mali. No último mês de fevereiro, quando muitos já apontavam o projeto Rafale como um fracasso no plano internacional, a França anunciou o primeiro contrato de exportação, de 24 exemplares para o governo egípcio.

Brasil: 20 anos de negociação

Iniciado em 1995, o processo de renovação das esquadrilhas da Força Aérea Brasileira atravessou cinco governos para encontrar um desfecho em 2013, quando a presidente Dilma Rousseff anunciou a decisão de adquirir 36 aeronaves Gripen da empresa sueca Saab ao custo de US$ 4,5 bilhões.

Para que o negócio se concretize, no entanto, falta não apenas a chancela do Congresso, mas também a apuração de uma suspeita de conflito de interesse no processo que escolheu a empresa sueca. Segundo informa a revista Veja desta semana, há suspeitas de direcionamento da licitação em favor de uma fornecedora de componentes que mantém relações com um grupo de oficiais da FAB.

O Ministério Público Federal abriu inquérito para investigar em que condições a AEL Sistemas, subsidiária local da israelense Elbit, foi contratada pela Saab para fabricar sistemas internos do avião. No cerne da apuração, informa a Veja, estão o aumento do valor do contrato após a inclusão da AEL no pacote e o fato de ela ter na folha de pagamento três filhos de oficiais, um cunhado do ex-comandante Juniti Saito e até mesmo um membro da cúpula da Aeronáutica.

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