Entrevista 14 de julho

Hollande defende criação de "governo econômico da zona do euro"

O presidente François Hollande durante a tradicional entrevista de 14 de Julho a jornalistas no Palácio do Eliseu.
O presidente François Hollande durante a tradicional entrevista de 14 de Julho a jornalistas no Palácio do Eliseu. REUTERS/Alain Jocard/Pool

O presidente francês, François Hollande, afirmou nesta terça-feira (14) que a Grécia não foi humilhada pelo acordo obtido em Bruxelas sobre sua dívida e anunciou propostas para melhorar a governança econômica europeia. "Humilhação teria sido tirar a Grécia da zona do euro", disse o chefe de Estado na entrevista que concede tradicionalmente no dia da festa nacional francesa.

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"Foi a Grécia quem propôs as reformas e o primeiro-ministro Alexis Tsipras avaliou as medidas antes que elas fossem apresentadas em Bruxelas", argumentou Hollande.

A França, "em coerência" com seu sócio alemão, fará propostas para a criação de um "parlamento da zona do euro, com governo e orçamento próprios", indicou. "Irei propor que possamos ir mais longe" na integração, porque "é necessário que haja um governo econômico europeu" para enfrentar as crises na União Europeia, afirmou.

O líder socialista ressaltou que a França "esteve em seu lugar" e "desempenhou o seu papel" para contribuir com a permanência da Grécia na zona do euro. Hollande evitou dizer que "Paris ganhou" ao vencer as resistências do grupo de países liderado pela Alemanha, que pressionou pela saída dos gregos do bloco monetário. "Foi a Europa que ganhou", explicou.

Audacioso

Amparado no sucesso da negociação, Hollande tentou imprimir outra imagem dele mesmo junto da opinião pública: "queria conhecer outros presidentes tão audaciosos quanto eu nas negociações sobre o pacto de responsabilidade fiscal", referindo-se ao conjunto de medidas adotadas pelo governo socialista para estimular o crescimento. Hollande tem a imagem de um presidente indeciso, fraco e, em algumas situações, é apontado como um capacho da chanceler Angela Merkel.

Respondendo aos comentários em relação às divergências entre França e Alemanha sobre o tema da Grécia, ele afirmou que "não teria ocorrido acordo sobre a dívida grega sem a dupla franco-alemã". A chanceler Angela Merkel, que "tinha motivos para desconfiar", esteve presente "no encontro da Europa", declarou.

Acordo nuclear e terrorismo

O acordo sobre o programa nuclear iraniano finalizado hoje entre Teerã e as potências ocidentais "prova que o mundo avança", afirmou o presidente francês.

Questionado sobre os comentários controversos de seu primeiro-ministro, Manuel Valls, que falou em uma "guerra de civilizações" contra o islamismo radical, Hollande esclareceu que a França "está diante de grupos que querem desafiar todas as civilizações" e "as primeiras vítimas são os muçulmanos".

Em relação às ameaças reiteradas de grupos radicais islâmicos contra interesses franceses, Hollande disse que o governo está mobilizado e "não vai baixar a guarda". "O dispositivo de 30 mil policiais e militares mobilizado para fazer a segurança em todo o território", depois dos atentados terroristas de janeiro, "continuará ativo nos próximos meses", garantiu o chefe de Estado francês.

(Com informações da AFP)

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