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Indústria Bélica

França venderá para o Egito navios Mistral destinados à Rússia

Sevastopol e Vladivostok, os dois navios Mistral no porto de Saint-Nazaire.
Sevastopol e Vladivostok, os dois navios Mistral no porto de Saint-Nazaire. AFP PHOTO / JEAN-SEBASTIEN EVRARD
Texto por: RFI
3 min

A novela sobre a venda dos navios de guerra franceses do tipo Mistral parece ter chegado ao fim. As duas embarcações, que foram inicialmente encomendadas pela Rússia, serão compradas pelo Egito, encerrando uma polêmica causada pela invasão da Crimeia pelo governo de Vladimir Putin.

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Os dois gigantescos barcos de guerra foram comprados pela Rússia ainda durante o governo Sarkozy, em 2011. Mas, no momento de entregar a encomenda, o contexto global havia mudado: a Rússia havia acabado de invadir a Crimeia, no sul da Ucrânia, e as sanções europeias contra Putin estavam em pleno vigor.

Depois de meses de debate interno, o governo Hollande decidiu cancelar a entrega dos navios. O prejuízo pelo cancelamento da venda era estimado em € 1 bilhão e tornou Hollande alvo de críticas severas da oposição, além de colocar sobre os ombros do presidente uma enorme pressão para encontrar novos compradores.

Nesta quarta-feira (23), a missão foi cumprida. O mesmo Egito que já havia anunciado a compra de 24 caças franceses Rafale em fevereiro deste ano, agora confirma a “lua de mel” vivida entre os dois países dando um lance definitivo pelos navios Mistral – Canadá e Singapura também estavam na disputa.

O valor da transação não foi revelado, mas o tom adotado pelo porta-voz do governo francês Stéphane Le Foll durante o anúncio do acordo deixa transparecer que ele não foi tão vantajoso como teria sido inicialmente com a Rússia, que pretendia pagar € 1,2 bilhão. “Não revelarei o preço, mas refuto totalmente o que foi dito por alguns, de que haveria perda de dinheiro nesta transação”, disse Le Foll.

Monitorar a Líbia

Informações da imprensa francesa confirmadas pela agência AFP junto a uma fonte próxima à negociação dão conta de que o Egito resistia em aceitar o valor inicialmente proposto pela França.

Segundo o site LaTribune.fr, uma das embarcações será posicionada no Mar Vermelho – aproveitando assim a ampliação do novo Canal de Suez – e a outra no Mar Mediterrâneo, monitorando a situação na Líbia, país vizinho que preocupa o governo do general Abdel Fatah Al Sissi por sua instabilidade política. Fontes do governo francês dão a entender que não há motivo para preocupação por parte de Israel. “Além de tudo, não existe uma grande cultura militar marinha no Egito”, afirma uma destas fontes.

 

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