Atentados de Paris

Vereadora brasileira em Saint-Denis defende comunidade muçulmana

A brasileira Silvia Capanema, eleita vereadora em Seine Saint-Denis, na periferia de Paris
A brasileira Silvia Capanema, eleita vereadora em Seine Saint-Denis, na periferia de Paris Taíssa Stivanin/RFI Brasil

A mineira Sílvia Capanema, 36 anos, vereadora em Saint-Denis, município da região metropolitana de Paris, testemunhou de perto a ação da polícia contra os terroristas que atacaram a cidade na última sexta-feira (13).

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Moradora de Saint-Denis, onde na manhã desta quarta-feira (18) os terroristas foram cercados pela polícia num prédio residencial, Sílvia revela o medo da população durante a operação policial.

“Nós ouvimos sirenes à noite, e tiros pela manhã. Foi bem assustador, uma coisa muito atípica para nós que moramos aqui. Temos medo, mas, naquele momento, nós sabíamos que estava tudo sob controle porque a polícia estava lá. Afinal, não se tratava de um atentado, mas, sim, de uma ação da polícia contra os terroristas que se esconderam num prédio onde alugaram um apartamento. Mas o medo, na verdade, não vem tanto daí, mas, sim, de uma situação mais ampla. Desde o 13 de novembro todos nós estamos com medo”.

Comunidade muçulmana

Saint-Denis, um município operário na periferia de Paris, com cerca de 100 mil habitantes, conta com uma forte presença de imigrantes do norte da África, na sua maioria muçulmanos. Sílvia Capanema, que também é vice-presidente do conselho departamental de Seine-Saint Denis para a Juventude e Contra a Discriminação, pede cautela antes que se façam análises precipitadas dos fatos.

“Precisamos ver os fatos primeiro para evitar qualquer forma de estigmatização da população. Eu prefiro não entrar nessa análise agora, esperando um pouco para ver as coisas com uma certa distância, uma certa calma. Não podemos dizer que os atentados sejam uma resposta de uma ou outra parte da comunidade. Trata-se de algo muito maior, uma questão internacional, uma questão de guerra no mundo. É claro que a França tem uma grande população de imigrantes de origem árabe, que é uma riqueza para o país - mas nem tudo é fácil. Existe uma minoria, um número muito pequeno de pessoas que pode se radicalizar. Mas a maior parte dos muçulmanos da França é de pessoas extremamente pacíficas e moderadas”.

A operação de hoje, quando dois terroristas foram mortos e sete outros presos, traz mais segurança à população, que, aos poucos, volta às suas atividades normais. “Essa é a melhor resposta. Não temos que ter medo, nem agir de forma violenta. Precisamos deixar a polícia e o exército fazerem o seu trabalho, enquanto a população continua unida em torno dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. É importante que mantenhamos o estilo de vida francês, livre e bon-vivant. Isso é o que tentamos fazer, com solidariedade, que é muito importante nesse momento”.

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