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França/Terrorismo

Morto em Saint-Denis, mentor dos atentados Abaaoud estava implicado em outros quatro ataques

O belga Abdelhamid Abaaoud, morto pela polícia em Saint-Denis nesta quarta-feira
O belga Abdelhamid Abaaoud, morto pela polícia em Saint-Denis nesta quarta-feira
Texto por: RFI
5 min

O jihadista belga Abdelhamid Abaaoud, mentor dos ataques que deixaram 129 mortos em Paris na última sexta-feira (13), morreu ontem na operação da polícia francesa em Saint-Denis, na região metropolitana de Paris. O corpo, crivado de balas, foi encontrado entre escombros do prédio cercado pelos policiais e foi "formalmente identificado", de acordo com um comunicado oficial emitido pela polícia nesta quarta-feira (19).

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"Abdel Hamid Abaaoud acaba de ser formalmente identificado, depois da comparação das impressões papilares (digitais das mãos ou pés). Ele morreu no decorrer da operação realizada pela RAID (unidade de elite da polícia francesa) na rua Corbillon de Saint-Denis na noite de 18 de novembro", afirmou o texto. "É dele o corpo encontrado no edifício", que foi cercado por 110 homens, completa o comunicado.

Logo depois de divulgada a morte do terrorista, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, felicitou o trabalho "excepcional" da inteligência e dos policiais do RAID, a força de elite da polícia francesa, responsável pela operação desta terça-feira. "O Ministério Público acaba de confirmar que Abaaoud, cérebro dos atentados - ou um dos cérebros, já que temos que ser particularmente prudentes - se encontrava entre os mortos", declarou o premiê diante dos deputados franceses.

Além dele, morreram uma mulher, que acionou um cinto de explosivos preso ao corpo, e, possivelmente, um outro homem, cuja identidade ainda não foi determinada. A mulher seria uma prima de Abaaoud, mas essa informação também ainda não foi confirmada. Oito pessoas foram presas na operação - entre essas, o homem que teria alugado o apartamento aos jihadistas e sua companheira.

Autor de outros seis atentados

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, afirmou que implicação do jihadista nos ataques de sexta-feira foi determinante. Mas ele teria também participado de uma tentativa de atentado em Villejuif, também na região metropolitana de Paris.

No total, ele estaria implicado em quatro das seis tentativas de atentado evitadas ou abortadas nos últimos meses. "O modus operandi era o mesmo: programação no exterior de ações violentas perpetradas por jihadistas originários de países europeus, formados no manejamento de armas e enviados à Europa para cometer os atentados", disse.

Mas, de acordo com Cazeneuve, a investigação sobre Abdelhamid Abaaoud está longe de chegar ao fim. Ainda é preciso "reconstituir o percurso deste jihadista originário de Molenbeek". Antes de se tornar um dos terroristas mais procurados do mundo sob o nome de guerra Abu Omar al-Baljiki ("o belga", em árabe), Abaaoud, de 28 anos, teve problemas com a polícia por pequena delinquência.

Em 2013, já radicalizado, ele partiu para a Síria para lutar ao lado do grupo Estado Islâmico e cresceu rapidamente na hierarquia da gangue. Em 2014, ele entrou e saiu da Europa diversas vezes, sem ser detectado pelos serviços de segurança, enquanto preparava uma série de atentados contra países ocidentais - entre eles, o mais violento da história da França, perpetrado na última sexta-feira.

Foi apenas em maio deste ano que Abaaoud foi apontado pela inteligência dos Estados Unidos como potencial articulador de atentados em larga escala. De acordo com Bernard Cazeneuve, "nenhum país europeu informou" a França de sua entrada no continente. "Foi apenas no último dia 16 de novembro que um serviço de inteligência de fora da Europa disse saber de sua presença na Grécia". Por isso, o ministro pediu que a Europa se reerga e se reorganize face à ameaça terrorista.

Repetindo o pedido feito na manhã de quinta-feira por Manuel Valls, Cazeneuve exigiu a integração dos registros europeus de passageiros aéreos, além do reforço do controle nas fronteiras exteriores e uma coordenação maior contra o tráfico de armas. "Essas medidas são exigidas pela França há mais de um ano e meio e alguns progressos foram registrados. Mas falta velocidade e profundidade", lamentou.

Novos alvos

O outro principal suspeito pelos atentados, Salah Abdeslam, de 26 anos, continua foragido. Ele participou do grupo que metralhou as varandas de cafés e restaurantes no centro da capital e seu irmão, Brahim, se explodiu diante do Stade de France. Desde que fugiu de Paris, no sábado, o jihadista é ativamente procurado pelas polícias europeias. Ele teria sido revistado pela polícia mais de uma vez depois dos ataques, mas como ainda não havia mandado de prisão contra ele, Abdeslam acabou liberado.

Especialistas ouvidos pela mídia francesa temem que a morte de Abaaoud em combate possa transformá-lo num mártir para jihadistas. Contribuiriam para este cenário as sete horas que durou o cerco ao prédio em Saint-Denis, além de declarações de policiais que afirmaram à imprensa que os terroristas entrincheirados eram muito hábeis no manuseio das armas. O enfrentamento a este cenário deve passar pela criação de uma estrutura para desdoutrinar potenciais jihadistas franceses, proposta apresentada na manhã de quinta-feira pelo premiê Manuel Valls.

O presidente francês, François Hollande, reunirá um conselho de Defesa a partir das 17h para "analisar a situação interna e externa", após os últimos desdobramentos da guerra contra o grupo Estado Islâmico.

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