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COP 21

Em vídeo: manifestação antiCOP 21 acaba em pancadaria em Paris

Policiais jogam gás lacrimogêneo em manifestantes
Policiais jogam gás lacrimogêneo em manifestantes REUTERS/Eric Gaillard
Texto por: Augusto Pinheiro
4 min

Uma manifestação neste domingo (29) contra a Conferência Mundial do Clima, que começa nesta segunda-feira (30) em Paris, acabou em violência entre policiais e manifestantes na Praça da República, no centro da capital francesa. Por conta do estado de emergência decretado após os atentados de 13 de novembro, que deixaram 130 mortos, manifestações públicas estão proibidas na França.  Mais de 100 pessoas foram presas.

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A marcha original que estava programada, organizada pela coalizão Climat 21, que reúne 130 ONGs, foi cancelada. No lugar dela, as ONGs Attac e Alternatiba tiveram a ideia de convocar uma "corrente humana", uma caminhada pel avenida Voltaire, entre a Praça da Nação e a Praça da República, que reuniu milhares de pessoas. Aos grupos ecologistas, uniram-se manifestantes mascarados antissistema.

Na Praça da República, a polícia bloqueou as ruas nos arredores, e alguns manifestantes tentaram forçar a passagem, principalmente grupos antissistema (que protestavam basicamente contra a proibição de protestar), atirando sapatos e garrafas nos agentes. Os policiais responderam com gás lacrimogêneo e chegaram a usar os cassetetes. A reportagem da RFI estava no meio da confusão e registrou tudo em um vídeo (abaixo).

RFI registra em vídeo pancadaria em manifestação anti-COP 21

O músico e fotógrafo Romain, de 32 anos, disse que está nas ruas pela liberdade de expressão. "O governo francês usou os atentados como o pretexto para tirar os parisienses da rua durante a COP 21.  Quando saímos às ruas, há esses caras de capacete, que pagamos todos os meses com nosso dinheiro, que nos batem e atiram gás lacrimogêneo", afirmou, revoltado com a situação.

"Eles estão lá para defender os interesses financeiros e políticos do Estado. A nossa manifestação é pacífica, desobediente e contestatória. O povo francês é soberano e republicano e continuará assim para sempre."

A artista plástica Agathe, de 27 anos, que tremia e chorava após ser atingida com gás no rosto, disse que "a situação era muito dolorosa". "Principalmente porque sou uma pacifista. Eu queria simplesmente passar pelos policiais, que bloqueavam a rua, impedindo a nossa passeata. Eu fiz um sinal da paz para  mostrar que eu sou era violenta, e eles jogaram gás lacrimogêneo na minha cara", disse.

Ela explicou, emocionada, o motivo da sua presença na manifestação: "Eu vim {C}aqui porque sou mãe de um menina de 4 anos. Está fora de questão que a minha filha cresça em um mundo assim. E eu vou lutar até o final por ela. Quando as pessoas têm medo, como depois dos atentados, o Estado se aproveita desse medo para fazer o que quiser".

Mas Agathe afirma que também participa da manifestação pela questão climática. "Estou aqui também pelo planeta, pelos seres humanos, e não pelos cretinos que poluem a Terra, que exploram o petróleo, todas essas idiotices", disse.

Sua amiga, a dançarina Melissa, de 26 anos, também com o rosto vermelho, a garganta arranhando e os olhos lacrimejando, se define como ecologista. "Minha vida é a natureza, sem ela não podemos avançar. Eu vim me manifestar pelo meio ambiente."

Instalação de sapatos

Na praça da República foi montada uma instalação com milhares de pares de sapatos, representando os manifestantes que não puderam se reunir para a marcha original em defesa do clima, que foi cancelada e poderia ter reunido até 200 mil pessoas. Sapatos do papa Francisco e da atriz Marion Cotillard fazem parte da instalação. Eles serão recolhidos depois por associações de caridade.

O par de sapatos do papa Francisco foi depositado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes. Ele foi enviado pelo Vaticano a Paris, especialmente para transmitir a reivindicação da Igreja Católica por mais justiça social e climática. Foram esses sapatos que foram utilizados pelos manifestantes contra a polícia.

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