COP 21

"Espero muito da participação do Brasil", diz secretária-geral da COP 21

A secretária-geral da ONU para a COP 21, Christiana Figueres, em Paris.
A secretária-geral da ONU para a COP 21, Christiana Figueres, em Paris. Elcio Ramalho/RFI

A secretária-geral da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática disse neste domingo (29), em Paris, que "espera muito" da participação brasileira nas próximas duas semanas na COP 21. Christiana Figueres também reafirmou que o acordo previsto para o encontro terá aspectos "juridicamente vinculantes", inclusive dos Estados Unidos − contrariando o discurso recente do secretário de Estado americano, John Kerry.

Publicidade

Kerry declarou no início do mês que seu país recusaria um tratado "juridicamente vinculante", ou seja, com obrigações legais nas reduções de emissão de CO2. Em entrevista exclusiva à imprensa brasileira nesta tarde, a secretária da ONU disse que haverá sim um tratado deste tipo, e com aval do governo americano: "mas haverá elementos com diferentes níveis, será um instrumento complexo", explicou Figueras.

"Estou 100% otimista. Não podemos correr o risco de não chegar a um acordo. Não consideramos a hipótese de fracasso nas negociações", afirmou a secretária-geral.

ONU elogia medidas adotadas no Brasil

Figueres elogiou o Brasil em seu "papel positivo na América Latina de proteger a floresta" e disse que os países em desenvolvimento terão papel fundamental na COP 21: "A China já percebeu que é de seu interesse ir em direção a uma economia com menos carbono".

A secretária reconheceu que ainda não leu o plano brasileiro para a COP, mas assegurou que os US$ 100 bilhões previstos para reduzir as emissões de gases poluentes sairão dos países desenvolvidos. "Não serão do setor público, mas sim do setor privado desses países", declarou.

Figueres comparou o encontro atual com o último, em Copenhague (2009), que não chegou a um acordo. "Muita coisa mudou. Saltamos de cerca de 40 políticas públicas para controlar emissões para 800 no mundo todo. Agora, 183 países têm alguma política para esse setor. Nunca houve isso na história."

Ela ressaltou que essas políticas isoladas de cada país são de curto prazo e, portanto, não são suficientes, mas que embasarão um acordo de longo prazo na COP 21: "queremos um acordo que possa durar até 30 anos".

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.