França/ COP 21

Eventos paralelos à COP21 incluem grande exposição e réplica da baleia azul

Obra do artista Alexis Tricoire mostra evolução do aquecimento global
Obra do artista Alexis Tricoire mostra evolução do aquecimento global Augusto Pinheiro

Aproveitando a realização da Conferência Mundial do Clima em Paris, a COP 21, vários eventos paralelos relacionados ao tema proliferam pela capital francesa. Da grande exposição Solutions (soluções) no mítico Grand Palais a grafites realizados por artistas de street art ao longo dos canais do Ourcq e Saint Martin, passando por um ciclo de conferências na Université de la Terre e uma réplica em tamanho real de uma baleia azul na margem do Sena, a programação é para todos os gostos e idades e tem um objetivo principal: conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar nosso planeta.

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A mostra Solutions, no Grand Palais, com entrada gratuita, convida o público a descobrir soluções de ONGs, empresas e associações - de veículos elétricos a um robô que purifica o ar - contra as mudanças climáticas e seus efeitos, visando uma sociedade "pós-carbono". O evento, organizado pelo Comitê 21 em colaboração com o Club França de Desenvolvimento Durável (com mais de 100 membros), espera receber 50 mil visitantes até o dia 10 de dezembro.

Louise Leick, coordenadora do Comitê 21, explica que "a exposição tem como objetivo mostrar soluções concretas para lutar contra o aquecimento do planeta. Há diferentes participantes, como empresas que desenvolveram inovações tecnológicas e associações com soluções para o dia-a-dia, como comer de maneira equilibrada respeitando o meio ambiente".

Exposição Solutions tem atividades para crianças
Exposição Solutions tem atividades para crianças Augusto Pinheiro

E acrescenta: "Há também atividades lúdicas para crianças, organizadas por ONGs como a WWF, para sensibilizá-las sobre a questão ambiental". Para Louise, "a ideia principal é mostrar que não temos que esperar o governo para agir, pois já temos respostas de outros atores da sociedade." "O governo tem que escutar a sociedade civil e ajudar a implementar essas soluções", diz.

Arte contra a destruição

Artistas também contribuem com a exposição, como o argentino radicado em Berlim Tomás Saraceno. Ele criou uma obra monumental, dois grandes globos transparentes que podem ser vistos pendurados no teto do Grand Palais, que podem se deslocar na atmosfera sem emitir CO2 e usando apenas a energia solar.

Em entrevista à RFI, ele explicou o objetivo do trabalho: "É a ideia de que todos estamos vivendo em um único lugar, que se chama planeta Terra, e temos que ser mais responsáveis porque esse lugar tem recursos limitados. Somos todos habitantes desse veículo que voa a 140 mil km/h ao redor do sol e temos que aprender, como alguém que vai viajar em um bote, que leva comida, água e mantimentos de acordo com a duração da viagem, a respeitar os recursos".

Grande globo do artista Tomás Saraceno no Grand Palais
Grande globo do artista Tomás Saraceno no Grand Palais Augusto Pinheiro

Para o artista, "da maneira como estamos utilizando os recursos atualmente, estamos destruindo o planeta".  "Então, de alguma maneira, este projeto propõe uma maneira totalmente distinta de viajar, de voar, de flutuar no ar como a Terra. O importante é nos conscientizar sobre os recursos que temos, a capacidade de viver juntos e propor uma forma de viajar completamente distinta. A nossa vida na Terra é a viagem mais longa, mais duradoura e mais sustentável que podemos imaginar", filosofa.

Outra obra que chama a atenção dos visitantes é a cabana criada pelo artista francês Alexis Tricoire. Com 20m2 de área e 6 m de altura, o espaço foi construído com madeira certificada e coberto com plantas. No interior, o visitante pode assistir a um filme que mostra a evolução do aquecimento do planeta.

Elogio e crítica

O técnico ambiental Loîc Duquy-Nicoud, presente no estande da região francesa Provences-Alpes-Côte d'Azur, acha que a exposição tem um diferencial: "Estamos no centro de Paris, em um lugar mítico e magnífico, que permete atrair um grande público para conhecer as soluções para os problemas ambientais. O importante é que mostramos soluções. Não estamos fazendo negociações políticas, mas apresentado soluções concretas para os cidadãos e para as empresas".

Porém o estudante Paul Archel, 23, que deu uma conferência neste sábado (5) sobre educação e desenvolvimento sustentável, criticou o evento. "Sou bastante crítico. Acho que há muitas empresas que estão aqui, não necessariamente de uma maneira legítima, pois têm uma atividade muito poluente e não fazem muito pelo meio ambiente.", disse, referindo-se a grupos como Engie, Avril (ex-Avril Sofiprotéol) et BNP Paribas.

Réplica da baleia azul na margem do Sena
Réplica da baleia azul na margem do Sena Augusto Pinheiro

Baleia azul

Próximo ao Grand Palais, atravessando a ponte Alexandre III, os moradores de Paris deparam com a réplica de uma baleia azul em tamanho real (33 m de comprimento, 8,40 m de altura e 14 m de largura), criada pelo fotógrafo Pierre Douay, presidente da associação ambiental Un Cadeau Pour la Terre (um presente para a Terra). O objetivo é provocar a reflexão sobre a preservação dos nossos ecossistemas. Infelizmente, devido aos atentados do dia 13 de novembro, não é possível entrar na baleia, que foi fabricada com esse intuito.

"O objetivo é maravilhar as pessoas. Porque é mais fácil compreender as coisas quando há uma dose de fascinação. A baleia azul é o maior animal que já habitou o nosso planeta. Queremos passar uma mensagem sobre a biodiversidade e os ecossistemas, porque sabemos que apenas a ação do homem pode inverter o rumo dramático das mudanças climáticas", explica Jérôme Descours, diretor de comunicação da Un Cadeau Pour la Terre.

A advogada Marie Perle achou a ideia excelente. "É muito bom para sensibilizar as pessoas sobre os problemas dos oceanos e a sua proteção. Na verdade, eu sou mergulhadora e milito pela causa marinha. Queria que essa baleia ficasse aí o ano inteiro", disse. Ela ficará exposta até 11 de dezembro.

Grafite representa a problemática da falta de água potável na África
Grafite representa a problemática da falta de água potável na África Care

Já ao longo dos canais do Ourcq e Saint Martin, no norte da capital francesa, cinco artistas de street art pintaram muros e fachadas com grafites com denúncias e mensagens sobre as mudanças climáticas. A partir de um projeto da ONG Care, os grafiteiros Doudou Style, dAcRuZ, FKDL, Koralie e Stoul usaram as latinhas de tinta para dar sua visão pessoal sobre o tema. As obras podem ser vistas até o dia 19 de dezembro, com visitas guiadas aos sábados, de 11h à 12h30 (com reserva).

O Parlamento dos Empreendedores do Futuro, da Unesco, realizou até este sábado, um ciclo de conferências na Université de la Terre. O tema do evento foi o clima em todas as suas dimensões: econômica, social e política.

Zona de Ação pelo Clima

De 7 a 11 de dezembro, o espaço cultural 104, no 19° distrito de Paris, acolherá o evento Zona de Ação pelo Clima, aberto as todos os públicos - de militantes a estudantes. Haverá projeções, debates e exposições, além de manifestações de rua, ações simbólicas e happenings.

Exposição Innov'Climat na praça da Prefeitura de Paris
Exposição Innov'Climat na praça da Prefeitura de Paris Mairie de Paris

Durante a manhã, grupos de alunos poderão participar de ateliês pedagógicos sobre as mudanças climáticas. Diariamente, no final da tarde, uma assembleia geral debaterá o estado das negociações da COP21 e as ações seguintes. Entre os convidados para os debates estão o jornalista e escritor Nicolas Hulot (dia 8, às 17h) e a autora canadense Naomi Klein (dia 10, às 19h).

Na Prefeitura de Paris, até o dia 8 de janeiro, a exposição de fotografias Empreinte mostra ações em diferentes países para combater as mudanças climáticas. A mostra é organizada pelo coletivo de jornalistas Argos. Já na praça em frente à Prefeitura, a exposição Innov'Climat apresenta as grandes inovações eco-friendly do momento.

Louise Leick, coordenadora do Comitê 21, fala sobre a exposição Solutions

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