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França / Imprensa

Estratégia de demonizar a Frente Nacional fracassou, dizem jornais franceses

Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional
Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional DENIS CHARLET/AFP
Texto por: RFI
3 min

As eleições regionais francesas, cujo grande vitorioso no primeiro turno foi o partido de extrema direita Frente Nacional, são o tema principal dos jornais franceses nesta terça-feira (8). O Libération traz uma análise do resultado do pleito afirmando que a estratégia de demonização da Frente Nacional pelos partidos tradicionais, usada há décadas, fracassou.

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O jornal diz que, em boa parte, a vitória da Frente Nacional tem a ver com o contexto. O partido de extrema direita atinge um auge de popularidade em um momento de desemprego elevado, de grandes mudanças geopolíticas às portas da Europa e de terríveis atentados terroristas.

O jornal lembra ainda que outro fator que contribui para o cenário é a dificuldade do partido socialista, no poder, de implementar as mudanças prometidas em 2012. Quanto ao ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder do partido de direita Republicanos, a publicação diz que ele não apresenta nada de novo e que segue a mesma linha direitista que resultou na sua derrota nas eleições presidenciais de 2012.

Mas a reportagem propõe também uma análise mais profunda. Diz que há uma dúvida sobre a capacidade dos partidos tradicionais de melhorar a vida dos cidadãos ou simplesmente de entendê-los. O jornal dá como exemplo a rejeição, por referendo, do Tratado Constitucional Europeu, em 2005, que seria um exemplo de ruptura entre uma grande parte do eleitorado e as elites sociais.

"Tripolaridade"

Já o jornal Aujourd'hui en France traz a manchete: "Nada está ganho". O texto justifica o título com o fato de que são três partidos, com aproximadamente a mesma força, que disputam o governo das regiões francesas - e não apenas dois, como nos tempos do bipartidarismo. O segundo turno acontece no próximo domingo.

O diário lembra que, com 27,8% dos votos, a Frente Nacional está apenas um pouco à frente dos Republicanos, com 27,3%. O Partido Socialista vem em seguida com 23%. A consequência da "tripolaridade", como chama a publicação, é que os resultados do domingo são incertos. Porém, nas regiões Provence-Alpes-Côte d'Azur e Nord-Pas-de-Calais-Picardie, os socialistas retiraram a sua candidatura para dar a chance de os Republicanos vencerem a extrema direita. A reportagem lembra ainda que os abstinentes no primeiro turno, cerca de 50% do eleitorado, podem fazer a diferença agora.

Nicolas Sarkozy

O jornal conservador Le Figaro publicou um texto sobre a estratégia de Sarkozy para o segundo turno das eleições regionais. O texto começa dizendo que Sarkozy resolveu colocar "os pingos nos is" em uma entrevista ao canal de televisão France 2.

O ex-chefe de Estado disse que, sempre que a esquerda está no poder, a Frente Nacional consegue resultados históricos. Ele lembrou que isso aconteceu em 1983, quando 35 deputados do partido de extrema-direita foram eleitos. Sarkozy, segundo a publicação, está reunindo a sua família política atrás de uma estratégia clara de recusa do socialismo e do ultra-nacionalismo.

Ele afirmou que vai adotar a linha do "nem-nem" - nem retirada de candidatos nem acordo com os socialistas para derrotar a Frente Nacional. Ele confia na força do seu partido para levar o maior número de regiões possível.

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