Gastronomia

Gripe aviária afeta exportações de "foie gras" no período de festas

Japão proibiu a importação de “foie gras”, da França, por medo do vírus da gripe aviária.
Japão proibiu a importação de “foie gras”, da França, por medo do vírus da gripe aviária. AFP PHOTO / LOIC VENANCE

As autoridades francesas identificaram nesta sexta-feira (11) o 13° foco de gripe aviária na região sudoeste do país, famosa internacionalmente pela produção de "foie gras" ("fígado gordo", em português). O vírus do tipo H5N9 foi localizado em uma criação de 1.500 patos na localidade de Arrosès (Pyrénées-Atlantiques). As aves foram abatidas e um perímetro de segurança foi instalado nos arredores da propriedade infectada.

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Desde que a gripe aviária retornou à França, no final de novembro, após oito anos sem registro de novos de casos, 68 mil aves já foram abatidas. O Ministério da Agricultura busca tranquilizar os franceses, afirmando que a situação está sob controle e que não há risco para o consumo de carne de frango, pato ou ganso. Porém, em plena época de festas, é inevitável associar a doença ao "foie gras", a especialidade francesa feita a partir do fígado hipertrofiado de gansos e patos, um prato tradicional nas ceias de Natal e Ano Novo.

Oito países suspendem importações

Desde o retorno da doença, oito países já suspenderam a importação de produtos avícolas franceses: China, Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Egito, Marrocos, Argélia e Tunísia. No caso do Japão, primeiro importador mundial de "foie gras", a medida abrange todos os produtos com data de produção posterior a 23 de outubro. A data foi escolhida levando em conta o período de 21 dias de incubação da doença.

A imprensa francesa começa a questionar a comunicação do governo. O jornal Le Monde, por exemplo, considera estranha a afirmação do Ministério da Agricultura de que "a gripe aviária não é transmitida ao homem pelo consumo de carne, ovos, 'foie gras' e outros produtos alimentícios".

As autoridades sanitárias já identificaram três tipos de vírus diferentes em circulação no sudoeste francês: H5N1, H5N2 e H5N9. O poder público declara que essas cepas não chegaram ao país provenientes da Ásia. No entanto, a Agência Nacional de Segurança Sanitária ainda não concluiu as análises dos animais mortos para confirmar essa hipótese com total segurança, adverte Le Monde.

Com receio de que as vendas de "foie gras" sejam prejudicadas na alta estação do produto, os casos de gripe aviária estão sendo tratados mais como um problema econômico do que de saúde pública, escreve Le Monde.

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