Valls: vitória da extrema-direita colocaria França à beira da guerra civil

O premiê francês, Manuel Valls, durante sessão da Assembleia, em 9 de dezembro
O premiê francês, Manuel Valls, durante sessão da Assembleia, em 9 de dezembro REUTERS/Charles Platiau

Uma "guerra civil" se anuncia se o partido de extrema-direita Frente Nacional ganhar uma ou mais regiões no segundo turno das eleições francesas que acontece neste domingo (13). O alerta veio nesta sexta-feira do primeiro ministro, Manuel Valls, para quem a plataforma de Marine Le Pen e companhia é uma mentira, baseada no racismo, no antissemitismo e repleta de propostas inalcançáveis. As duras declarações foram feitas um dia depois da líder extremista dizer que, caso seja eleita, ela transformará a vida do governo socialista em "um inferno".

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"Existem duas opções para nosso país. Há a opção da extrema-direita que, no fundo, prega a divisão. E existe uma outra visão, que é a da República e dos valores, da união", disse o chefe de governo, em entrevista à rádio France Inter. "A extrema-direita é uma enganação, a Frente Nacional engana as pessoas. Claro que respeito os franceses que fazem essa escolha porque, quando há um voto de revolta, é preciso compreendê-lo, mas eles votam em um partido antissemita, racista, que não ama a República", respondeu Valls.

Mais tarde, ele reiterou suas declarações, durante uma visita à cidade de Sainte-Geneviève-des-Bois, em apoio a Claude Bartolone, candidato do Partido Socialista para a região de Île-de-France, que inclui Paris. "A divisão e a estigmatização carregam os germes da guerra civil", disse a jornalistas. "Diante disso, é preciso um projeto contrário, um projeto de união, de convivialidade, de concordância em torno dos valores da República. É essa a bandeira que erguemos quando apoiamos associações que fornecem ajuda alimentar, quando apoiamos clubes esportivos que transmetem valores do alto nível até as crianças em idade escolar. É assim que damos vida à República, não apenas com palavras, mas com ações cotidianas", declarou.

Acusações de racismo nas eleições

O próprio Bartolone esteve no epicentro de uma polêmica nesta semana. Ele acusou sua adversária, Valérie Pécresse, dos Republicanos (partido de direita do ex-presidente Nicolas Sarkozy) de defender a "raça branca". Isso porque alguns cartazes da direita trazem a frase: "Não queremos virar a Saint-Denis de Bartolone", em referência à cidade que o socialista governa, uma das mais pobres da região, com grande concentração de imigrantes, altas taxas de desemprego e evasão escolar. Foi em Saint-Denis que se esconderam alguns dos jihadistas que promoveram os atentados do dia 13 em Paris.

Em entrevista publicada na quarta-feira, Bartolone disse que esses cartazes são "racistas", "reproduzem o discurso da Frente Nacional" e "utilizam uma mensagem subliminar para gerar pânico". "No fundo", Valerie Pécresse "defende a raça branca". A candidata da direita chamou de "abjetas" as declarações de seu adversário e prometeu acioná-lo legalmente. "Um mês depois dos atentados, ele introduz o conceito de raça na campanha eleitoral. É perigoso e irresponsável", declarou.

"Don Bartolone"

O socialista também acusou seus adversários de depreciar suas origens italianas, chamando-o de "don Bartolone": "Sou presidente da Assembleia Nacional e, mais de 50 anos depois de minha chegada à França, ainda me discriminam por eu não ter nascido na França e ter um pai italiano. Imaginem o que isso representa para todas as crianças dos bairros populares, filhos de imigrantes", afirmou.

Manuel Valls apoiou seu candidato nisso que chamou de "debate absurdo": "A região da Île-de-France não precisa de polêmica, precisa de coesão, unidade, justiça social. (Claude Bartolone) respondeu muito bem, disse o que tinha de ser dito, poderíamos falar de toda a polêmica, todos os argumentos, ficar neste debate absurdo. Ele está acima desta polêmica, é um grande republicano e é isso que importa", declarou o premiê.

No próximo domingo, 44,6 milhões de eleitores vão às urnas para eleger representantes de 13 regiões. No primeiro turno, a Frente Nacional chegou em primeiro lugar em seis regiões.
 

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