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Charlie Hebdo publicará número especial para lembrar um ano do atentado

Capa da edição especial de "Charlie Hebdo" que vai homenagear os cartunistas mortos um ano depois do atentado contra o semanário.
Capa da edição especial de "Charlie Hebdo" que vai homenagear os cartunistas mortos um ano depois do atentado contra o semanário. Charlie Hebdo

Em memória do atentado de 7 de janeiro do ano passado, o semanário satírico francês "Charlie Hebdo" publicará na próxima quarta-feira (6) um número especial, que trará na capa a charge de um deus barbudo (foto), com um fuzil Kalashnikov e com a veste ensanguentada. O título de capa é: "Um ano depois, o assassino ainda corre". A edição terá uma tiragem de quase 1 milhão de exemplares, e vários deles serão enviados para diferentes países.

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O número duplo de "Charlie Hebdo", com 32 páginas em vez de 16, será vendido ao preço habitual de € 3 (R$ 12,75) e contará com um caderno de caricaturas de Charb, Honoré, Cabu, Wolinski e Tignous, os desenhistas assassinados pelos irmãos Chérif e Said Kouachi. 

Os dois terroristas, de nacionalidade francesa, reivindicaram o atentado que matou ao todo 12 pessoas em nome do braço armado da Al Qaeda no Iêmen. Eles foram abatidos pela polícia dois dias depois do massacre.

A edição terá desenhos atuais e mensagens de apoio de personalidades. Entre os colaboradores externos estão a ministra francesa da Cultura, Fleur Pellerin; atrizes, como Isabelle Adjani, Charlotte Gainsbourg e Juliette Binoche; intelectuais, como Élisabeth Badinter, a bengalesa Taslima Nasreen e o americano Russell Banks; e o músico Ibrahim Maalouf.

Riss assina o editorial com uma reflexão sobre o fanatismo religioso

O cartunista Riss, atual diretor do veículo, gravemente ferido em 7 de janeiro de 2015, assina um editoral com uma ferrenha defesa da laicidade e denuncia os "fanáticos alienados pelo Alcorão" e "devotos de outras religiões" que queriam a morte da publicação por "ousar rir do religioso". "As convicções dos ateus e dos laicos podem mover mais montanhas do que a fé dos crentes", escreve.

Hoje, "Charlie Hebdo" tem tiragem de cerca de 100.000 exemplares em bancas e, destes, pelo menos 10.000 são distribuídos no exterior. A revista conta com 183.000 assinantes.

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