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Confrontos marcam greve geral na França

Protesto de taxistas contra a concorrência do serviço Uber.
Protesto de taxistas contra a concorrência do serviço Uber. AFP/AFP

Milhares de trabalhadores franceses participam nesta terça-feira (26) de uma greve geral no país, paralisando vários setores. Professores, controladores aéreos e taxistas pedem o fim da reforma no ensino fundamental e aumento salarial.  Já os taxistas denunciam a concorrência do aplicativo Uber e dos carros com motorista que transportam turistas, conhecidos como VTC.

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Em Paris, a paralisação dos taxistas ocorre sob tensão e houve confrontos, principalmente no aeroporto de Orly. Um grevista chegou a ser atropelado e ficou ferido. Os manifestantes criaram uma barreira com pneus queimados e jogaram pedras nos policiais. O último balanço da polícia diz que 23 pessoas já foram detidas.

Outros incidentes foram registrados perto do aeroporto de Orly e em frente ao Ministério da Economia e de Finanças. Protestos também ocorreram em Toulouse, no sul da França, Lille, no norte, ou Bordeaux.

Os taxistas denunciam a concorrência desleal com a abertura do mercado para veículos com motoristas que transportam turistas. O motorista de táxi é um profissional licenciado, com uma carteira profissional, ligado à um órgão que regula a atividade, contrariamente ao Uber ou outros VTCs.

O primeiro-ministro, Manuel Valls, condenou os atos de violência. Ele disse que os trabalhadores têm o direito de se manifestar, mesmo com o estado de emergência em vigor no país por causa do terrorismo. Mas ressaltou que nada justifica a violência de alguns manifestantes.

No total, cerca de 5,6 milhões de trabalhadores devem aderir ao movimento de greve. Os funcionários públicos pedem uma alta do índice que serve de base de cálculo para os salários, congelados desde 2010. Os sindicatos majoritários (CGT, FO e Solidaires) recusaram a assinatura do acordo sobre a remuneração e o plano de carreira dos funcionários, anunciada em setembro pelo governo.

Greve dos controladores deve afetar um a cada cinco voos

A greve dos controladores aéreos deve afetar vários voos, mas nenhum será cancelado de última hora, de acordo com um porta-voz da Aéroports de Paris, que administra Orly e Roissy-Charles de Gaulle.

A DGAC (Direção-Geral da Aviação Civil) havia pedido na segunda-feira às companhias aéreas que cancelassem com antecedência 20% de seus voos. Todos os passageiros foram avisados pelas suas companhias. De acordo com a Air France, nenhum voo intercontinental será cancelado e 80% dos voos na França e na Europa serão assegurados.

“Não haverá um grande aumento de salários”

De acordo com a ministra da Função Pública, Marylise Lebranchu, o congelamento do índice de reajuste dos salários permitiu ao estado uma economia de € 7 bilhões. Segundo ela,  “o desemprego nos leva a tomar medidas extras, além de uma situação em termos de segurança que nos obriga a criar cargos nos setores da polícia, Justiça, exército e forças armadas”.

Professores também protestam

Cerca de 13% dos professores também devem fazer greve nesta terça-feira para pedir um aumento salarial e protestar contra a reforma do ensino fundamental proposto pela ministra Najat Vallaud-Belkacem, que prevê, entre outras mudanças, a introdução de cursos interdisciplinares, o reforço do apoio personalizado.
 

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