Jornal francês dá a receita da felicidade

"Receitinhas da felicidade" é a manchete do jornal francês Aujourd'hui en France desta terça-feira, 26 de janeiro de 2016.
"Receitinhas da felicidade" é a manchete do jornal francês Aujourd'hui en France desta terça-feira, 26 de janeiro de 2016.

A greve que paralisa vários setores na França nesta terça-feira (26) é analisada pela imprensa francesa de hoje. Motoristas de táxis, controladores aéreos, funcionários e professores das escolas públicas cruzam os braços e fazem manifestações em todo o país. O jornal Aujourd'hui en France aproveita os transtornos anunciados para dar "pequenas receitas de felicidade".

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Esta terça-feira será um dia complicado para os parisienses decreta Aujourd'hui en France. Difícil manter a calma com todos os transtornos provocados pelas várias paralisações, decreta o diário que aproveita a deixa para dar receitas contra o baixo astral. Pequenos gestos cientificamente comprovados e eficazes, garante o diário. Os conselhos são de um professor de psiquiatria francês que desenvolveu um método cotidiano contra o estresse e a tristeza. O acaso do nome do especialista, Michel Lejoyeux, que em português significa Michel o Feliz, é ressaltado pelo diário.

Segundo Lejoyeux, todo deprê é uma pessoa que ignora que está bem de saúde! A matéria alerta, no entanto, para a diferença entre deprê ou baixo astral e depressão, que é uma doença que necessita de tratamento médico. A principal dica desse método preventivo, que libera os pacientes de antidepressivos desnecessários, é "cuidar um pouco de si mesmo". Fazer esporte, escutar música, comer bem, ser altruísta e pensar positivo... Nada de revolucionário, mas funciona.

Ser feliz é uma coisa que se aprende, ensina o professor Michel Lejoyeux. "Confiem na neurociências e no bom humor. Escolham atividades que comprovadamente ajudam a secretar a serotonina, o hormônio da felicidade. Comer chocolate, tomar sol e mesmo quando tudo vai mal, sorrir. O psiquiatra prescreve ainda pickles de pepino contra dor de cabeça, escutar ao menos um CD de música ou 50 minutos por dia para alegrar a alma e, de preferência, evitar as pessoas que reclamam da vida.

Greve na França paralisa vários setores

Os franceses vão precisar dessas dicas para manter o alto astral hoje. A mobilização que promete mais transtornos é a dos taxistas. Eles devem bloquear estradas de acesso aos aeroportos e complicar o trânsito nas ruas das grandes cidades. As autoridades temem as violências registradas na última greve da categoria, em junho de 2015, quando os taxistas chegaram até a agredir motoristas e clientes do serviço Uber. O governo tenta evitar novos problemas e faz promessas para acalmar os taxistas, informa Les Echos.

A categoria reclama mais uma vez da concorrência desleal do Uber e acusa a polícia de passividade. Os taxistas afirmam que Uber e os outros serviços de Veículos de Turismo com Chofer, chamados na França de VTC, não respeitam a lei. Eles estão pegando passageiros nas ruas, nos pontos e nos aeroportos sem a reserva obrigatória em um aplicativo, garantem os sindicatos. Antes mesmo do início da paralisação, que deve ter uma forte adesão, o governo pede à Secretaria de Segurança para reforçar o mais rápido possível o controle contra os VTC. Enquanto isso, a polícia aconselha os taxistas a evitarem a repetição das violências de junho passado que arranharam a imagem da França no mundo, escreve Les Echos.

Outra mobilização importante acontece nas escolas públicas. O protesto contra a reforma do ensino fundamental na França não enfraquece, informa Le Figaro. Os professores voltam a cruzar os braços contra as medidas do ministério da Educação que acabam com um terço dos cursos bilíngues, entre outras coisas. "O governo está exasperando a profissão", afirma um líder sindical entrevistado pelo jornal. Apesar da mobilização iniciada no ano passado, o governo socialista aprovou o decreto da reforma que entrará em vigor em breve, diz Le Figaro.

Já os funcionários públicos estão em greve reivindicando um aumento salarial. A paralisação tem a adesão dos controladores aéreos e 20% dos voos foram cancelados preventivamente hoje na França, completa Libération.
 

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