França reforça segurança nas FunZones das cidades-sede da Eurocopa

Estádio Riviera, em Nice, um dos locais dos jogos da Eurocopa 2016.
Estádio Riviera, em Nice, um dos locais dos jogos da Eurocopa 2016. REUTERS/Eric Gaillard

A dois meses do início da Eurocopa, as autoridades francesas trabalham para garantir a segurança e oferecer tranquilidade para as delegações, os torcedores e os turistas que vão estar no país durante o evento programado entre 10 de junho e 10 de julho.

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Cerca de 10 milhões de torcedores são esperados para o maior evento futebolístico do ano na Europa. Para que o evento seja um sucesso, o governo francês, as dez cidades-sede e os organizadores não estão medindo esforços nos preparativos de segurança.

As preocupações com o dispositivo previsto durante a competição aumentaram desde os atentados de janeiro e novembro de 2015, e mais recentemente com os ataques em Bruxelas. Se nos palcos dos jogos o esquema de segurança fica a cargo UEFA, a Confederação Europeia de Futebol, nas cidades que acolherão o evento são as prefeituras e autoridades locais as responsáveis por afastar qualquer tipo de ameaça. E elas encontram problemas de orçamento e também dificuldades de recrutamento de agentes.

Em um ambiente de vigilância extrema devido ao combate ao terrorismo, as autoridades concentram os esforços nas chamadas FunZones, áreas ao ar livre concentrando uma multidão de torcedores para assistir aos jogos em enormes telões.

“Decidimos durante uma reunião do comitê executivo do serviço de segurança com todas as cidades-sede de manter o dispositivo das FunZones tal como havia sido previsto e ainda com novos meios de segurança, incluindo também, claro, mais investimentos. Mas está fora de cogitação ceder a qualquer tipo de medo”, diz o ministro francês dos Esportes, Patrick Kanner, em referência a eventuais ameaças de ataques terroristas.

“Atualmente, renunciar a qualquer FunZone seria uma derrota para os que questionam nosso modelo de sociedade, que é republicano e democrático. Claro que de alguma maneira a Eurocopa de 2016 tomou uma dimensão particular, em função dos acontecimentos. Mas vamos manter o que estava previsto e é o que os franceses querem”, afirma.

Perímetro de segurança

Várias medidas estão previstas, entre elas, o fechamento do perímetro das FunZones e revistas sistemáticas para quem levar objetos pessoais, como bolsas e sacolas. A exceção é a cidade de Lyon, onde as autoridades decidiram proibir completamente a entrada desses pertences. A única cidade que ainda não definiu o local da FunZone é Saint-Denis, onde fica o Stade de France, alvo de um dos ataques de novembro passado.

As cidades de Marselha, Paris, Nice, Bordeaux e Lyon garantem a abertura diária desses locais de festa. Mas em outras sedes, como Saint-Étienne, Toulouse, Lens e Lille, os eventos populares serão limitados entre sete e 22 dias.

O local de maior concentração será no Campo de Marte, em Paris, ao lado da Torre Eiffel, onde será instalada uma FunZone com capacidade para cerca de 100 mil espectadores. A direção de segurança da Eurocopa 2016 já divulgou o dispositivo de segurança para os jogos. O primeiro ponto de controle será feito em um perímetro de 1 km ao redor dos estádios, e seguirá na entrada e no interior das arenas.

Custos pesa para as cidades

A UEFA estimou há mais de um ano a necessidade de 9000 agentes para garantir a segurança nos arredores dos estádios durante toda a competição, que terá 51 jogos durante um mês.

O problema é que devido aos atos terroristas de janeiro de 2015, que teve início com o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, e aos atentados de novembro, em Paris, agentes estão mobilizados pelo plano Sentinela com o reforço da segurança aos locais considerados “sensíveis”, como monumentos e locais de culto e associações judaicas.

A formação de profissionais para atuar em grandes eventos, chegou a ser reduzida de 140 para 100 horas, mas o trabalho nem sempre é atraente por ser considerado mal pago, em média € 1.000 de salário mensal, e pelos riscos que representa.

Reforçar a segurança nas cidades-sede e garantir a tranquilidade dos oito milhões de torcedores previstos para frequentar as FanZones durante a competição também tem um custo alto para os cofres públicos.

“A segurança não tem preço. Ela foi estimada pelas cidades-sede das FunZones em € 17 milhões. O governo vai contribuir, especialmente em relação ao sistema de vídeo segurança. A UEFA fará certamente um esforço suplementar em relação aos € 3 milhões que tinham sido estimados. As cidades também farão um esforço extra. Claro, significa milhões de euros para nós, mas temos que pensar na imagem que vamos passar ao mundo inteiro dessas Fun Zones que vão acolher oito milhões de pessoas e devem estar totalmente preparadas. O que é extraordinário é a cooperação entre as cidades-sede, o governo, a UEFA e a SAS em 2016”, afirma o ministro Kanner. A SAS é a joint-venture da Federação Francesa de Futebol e da UEFA para organizar o evento.

Simulação de atentado

Em alerta máximo, as autoridades francesas se preparam para enfrentar todo tipo de ameaça. Para mostrar preparação e reagir em caso de um cenário dramático, os responsáveis pela segurança organizaram no dia quatro de abril, na cidade de Bordeaux, uma simulação de um atentado em uma FunZone.

 

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