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Com forte rejeição, Hollande vai à TV defender seu governo

O presidente francês François Hollande será sabatinado nesta quinta-feira, 14 ao vivo na televisão francesa.
O presidente francês François Hollande será sabatinado nesta quinta-feira, 14 ao vivo na televisão francesa. REUTERS/Philippe Wojazer

Cerca de 87% dos franceses fazem um balanço negativo do governo do presidente François Hollande, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo canal de TV BFMTV. É neste contexto mais do que desfavorável que o chefe de Estado participa, nesta quinta-feira (14), de uma entrevista no canal de televisão France 2.  

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O presidente será entrevistado, durante 90 minutos, por três jornalistas e quatro franceses: um empresário, a mãe de um jihadista que foi embora para a Síria, um estudante de Administração de Empresas e blogueiro de esquerda e um motorista de ônibus, eleitor da Frente Nacional, o partido de extrema-direita. Eles simbolizam as temáticas que dominam o país neste momento.

No auge de sua impopularidade, o chefe de Estado terá dificuldade para convencê-los. Algumas sondagens mostram que, mesmo se Hollande conseguisse diminuir a taxa de desemprego 69% dos entrevistados não mudariam sua opinião em relação a ele.

“As pesquisas são todas catastróficas. Os franceses não querem apenas nos derrotar, eles querem nos expulsar do governo”, declarou um político próximo do presidente. Batizado de “Diálogo Cidadão”, o programa será conduzido por três apresentadores conhecidos da TV francesa: David Pujadas, Léa Salamé e Karim Rissouli.

Chefe de Estado vai apresentar balanço positivo

Durante o Conselho de Ministros desta quarta-feira (13), o presidente francês já antecipou como seria sua participação no programa e qual era seu objetivo. “Precisamos ser claros e não alimentar a confusão”, declarou. O chefe de Estado deverá apresentar o balanço positivo econômico e social de sua política, com a diminuição do déficit público para 3,5% no ano passado e uma retomada do crescimento de 1,2%. “A única maneira de convencer a opinião pública é mostrar os resultados na luta contra o desemprego, o aumento do poder aquisitivo e da segurança de nossos cidadãos”, disse Hollande.

A tarefa será complicada, já que o presidente também enfrenta, nesse momento a pressão dos jovens nas ruas. Para Frédéric Dabi, do instituto Ifop, “temos um presidente da República em grande dificuldade. Hollande é o chefe de Estado mais impopular da história da Quinta República, a um ano do fim do mandato”. Segundo ele, ainda há dois fatores agravantes: “a perda da base de seu eleitorado, à esquerda, e discursos que se radicalizaram à direita”.

 

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