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Protestos podem forçar governo francês a rever reforma trabalhista

Capa dos jornais franceses desta quinta-feira, 26 de maio de 2016.
Capa dos jornais franceses desta quinta-feira, 26 de maio de 2016. RFI

A greve que marca este oitavo dia de mobilização nacional contra a reforma trabalhista na França impediu a chegada dos jornais franceses às bancas nesta quinta-feira (26). Mas o conteúdo está disponível online e a imprensa francesa em peso destaca os protestos do dia. Para alguns diários, o governo francês pode ceder e modificar o projeto de lei, diante da radicalização dos protestos.

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Libération informa que os opositores ao projeto de lei que modifica a legislação trabalhista do país multiplicam os protestos para tentar acabar com a determinação do governo em adotar o texto. Passeatas em Paris e em várias cidades do país, refinarias e depósitos de petróleo bloqueados ou paralisados, perturbações em portos e usinas nucleares são algumas das ações anunciadas para hoje.

Libé diz que o porto do Havre, no noroeste da França, passou a ser o epicentro do movimento na região da Normandia, que está funcionando em câmera lenta. Para impedir o acesso dos policiais enviados para desbloquear o local, os manifestantes decidiram fechar a ponte da Normandia que liga a cidade do Havre a várias regiões do país.

CGT lidera os protestos

Le Figaro traz o perfil do homem que quer colocar a França de joelhos: Pierre Martinez, o líder da CGT, uma das principais centrais sindicais francesas, que está à frente dos protestos. O jornal conservador diz que Martinez é um formidável estrategista que está usando todas as suas armas para forçar o governo a recuar sobre a reforma trabalhista, mesmo que para isso ele tenha que paralisar a França.

Martinez, que dirige a CGT há apenas um ano e era até então desconhecido do grande público, "declarou guerra ao primeiro-ministro Manuel Valls e ao presidente François Hollande". Le Figaro avalia que a estratégia radical do sindicato pode obrigar o executivo a renunciar ao projeto de lei trabalhista. Se isso acontecer, será uma catástrofe para a dupla no poder que perderia o pouco de autoridade que ainda tem, sentencia o jornal conservador. "Enquanto o governo se recusar a negociar, a mobilização pode aumentar", alerta o líder da CGT nas páginas do diário.

Le Parisien acredita que o presidente e o primeiro-ministro franceses estão prontos para ceder e modificar o artigo dois do projeto, que privilegia os acordos nas empresas em detrimento dos acordos por categorias, como exigem os opositores. No momento do segundo debate na Assembleia, o executivo poderia fazer uma última modificação no texto para evitar a paralisia do país, adianta o jornal.

Les Echos aponta que o governo é pressionado por uma parte dos deputados que integram a maioria socialista na assembleia a rediscutir o texto.

Queda do desemprego na França

O diário econômico também traz uma boa notícia no campo do trabalho. Pela primeria vez no governo de François Hollande, o desemprego caiu pelo segundo mês consecutivo na França. Em abril, quase 20 mil pessoas foram contratadas no país. Em março, 60 mil pessoas já haviam encontrado um trabalho. Mas para que os franceses se convençam de que a promessa do presidente tenha mesmo se concretizado, a queda do desemprego tem que se repetir nos próximos meses e ser duradoura, diz Les Echos.

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