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Brasil/UE

Em Paris, Serra critica protecionismo europeu

O chanceler brasileiro José Serra falou com jornalista após evento no Palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa.
O chanceler brasileiro José Serra falou com jornalista após evento no Palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa. RFI/Gabriel Brust
Texto por: Gabriel Brust
4 min

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, comentou as negociações sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Em evento em Paris, o chanceler disse que é necessário mais reciprocidade nas discussões sobre o tema e que o protecionismo europeu é maior que o do Brasil.

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Serra, que está em Paris para participar de uma reunião ministerial anual da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de vários encontros bilaterais, conversou com a imprensa durante a abertura da Semana da América Latina, evento organizado anualmente pelo governo francês. Após a cerimônia, no Palácio do Eliseu, o chanceler teve um encontro reservado com o ministro francês Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, no qual um dos assuntos foi a negociação do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, emperrado desde os anos 1990.

Na conversa, classificada por Serra como "densa”, o brasileiro abordou a área agrícola da Europa, um dos “grandes obstáculos", e disse que esforços ainda são necessários para se chegar a um consenso. “Ambos os lados tem que colocar mais atenção na reciprocidade. Nós temos posto, mas é preciso que a Europa também ponha", disse o ministro, em referência ao protecionismo europeu.

“Os brasileiros gostam de falar dos defeitos do nosso protecionismo, e com razão. Agora, os europeus não falam dos defeitos do seu protecionismo, que é maior do que o nosso", comentou o chanceler.

Serra também disse que o momento é de buscar expansão do comércio internacional brasileiro, inclusive rumo à América do Norte, como forma se pressionar a União Europeia. "O Brasil tem uma participação tão pequena no comércio mundial, que seu desempenho pode melhorar mesmo com a estagnação que há hoje no plano internacional", afirmou o chanceler.

Como mediar a crise na Venezuela

O representante da diplomacia brasileira também disse que vai analisar as diferentes iniciativas surgidas nos últimos dias para mediar a crise venezuelana, como a do secretário-geral da OEA. Luis Almagro decidiu, na manhã desta terça-feira, invocar a Carta Democrática Interamericana e convocar uma reunião para analisar a situação política da Venezuela, o que pode levar a suspensão do país.

"Favorecemos o entendimento, se for possível. Que não seja uma forma de postergar e manter a atual situação. Mas vamos forçar a definição de um caminho único na negociação", disse o ministro.

Desemprego não vai ter redução explosiva

Ao falar sobre os números do desemprego, revelados nesta terça-feira (31) e que registraram um recorde de 11,2%, o chanceler disse acreditar em uma desaceleração desses índices. "Me preocupa muito, mas a tendência, agora, é desacelerar a piora. Não vai ter uma redução explosiva, mas pelo menos desacelerar a queda."

Segundo o chanceler, dois fatores concorrem para a desaceleração: a inversão das expectativas dos agentes econômicos, por causa do novo governo, e a redução da inflação.

Declaração de Hollande é "reconhecimento" de que democracia brasileira está segura

Serra também comentou o discurso feito pelo presidente francês, François Hollande, durante a cerimônia de abertura da Semana da América Latina. O líder europeu disse que "confia nas instituições e no povo brasileiro para superar as dificuldades, respeitando as leis".

O chanceler considerou o discurso de Hollande um reconhecimento de que "o processo brasileiro está seguro do ponto de vista democrático".

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